
Gosto deste sentir
que há em mim
da vaga
que agita o meu viver
e no corpo deixa
um mar sem fim
que é o desejo
de te ter.
Gosto do que existe
entre nós
ainda não sei
que nome lhe dar
é rio que desagua
em verde foz
é janela aberta
de par em par.
Amor gosto
de te gostar
não me perguntes
a razão
gosto do que me diz
o coração
Dá-me prazer
este meu gostar.

Queria-te
sem nome te dar…
quando o sol
ficava frio no empedrado
e o vento
se perdia pelas vielas
sem ter uma colina
onde repousar.
Queria-te
sem nome te dar…
quando o horizonte
era uma linha trémula
traçada a lápis sem cor
no papel rasgado
e eu desejava
ser capaz de desenhar.
Queria-te
sem nome te dar…
nesse tempo
de luares sem brilho
nas noites
apodrecidas pela solidão
com o medo
a levar-me para outro lugar.
Hoje quero-te
e tenho nome para te dar
estás no sol
que nunca arrefece
estás no vento
que já se encontrou e repousou
no horizonte
que não desenho mas vejo
no luar
que reflecte o teu olhar
e onde reconheço quem fui
antes de fugir de mim
e me ter esquecido de sonhar.

Tenho a grata oportunidade de fazer a apresentação do meu livro de poesia Do Outro Lado do Silêncio, na Sociedade Portuguesa de Autores, quinta-feira 24 de Junho, às 18H30, Auditório Maestro Frederico de Freitas.
Espero poder contar com a presença e apoio daqueles que não puderam ir ao Martinho da Arcada e mais uma vez rever os meus amigos e leitores.
Aqui fica o convite. Um abraço.

Contigo…
volto a soletrar a palavra fêmea
nas esquinas do meu corpo ofegante
desatas tempestades quentes de verão.
Contigo…
rios desaguam no grito liberto do meu prazer
abres vales de loucura nos montes dos meus quadris.
Contigo…
reaprendo-me num solto desfazer de mim
és vendaval, calmaria e abrigo do meu querer.
Contigo…
dou-me e ganho-me num reinventar alucinante
és desejo a pernoitar nas margens dum sonho sem fim.
Soube-me muito menos
Do que a pouco…
A viagem de teus lábios errantes
Na pele onde o tépido arrepio
Do vento se quedara por instantes
Suspenso entre luzir e partir
O astro-rei sorriu da gaiata pequenez
Na delonga de um acostar tardio
Retido num sopro de espanto
Aplaudiu o beijo desnudo de fugidio
Esculpido na alma em cascatas de limpidez
E eu sorvi na brisa teu demorado encanto.
Soube-me muito menos
Do que a pouco…
De teus dedos retardada suavidade
Em vagas de desenho incompleto
A deixar em mim a apetente doçura
Do fruto que amadurecera sem idade
E agora colho num sonho desperto.
Soube-me muito menos
Do que a pouco…
Esse momento de esboçada candura…
Em que o Tempo não ficou perdido.

Agradeço imenso àqueles que se deslocaram à Feira do Livro, na passada quinta-feira. Aqui ficam algumas fotos a testemunhar os momentos que partilhei com alguns dos meus leitores e amigos. Foi também uma agradável surpresa ter recebido a visita do meu editor.
No próximo sábado, dia 22, os meus livros serão destacados como Livro do Dia. Nesse mesmo sábado, recordo-vos que estarei no Martinho da Arcada, às 17h.30 para o lançamento do meu novo livro de poemas - Do outro lado do silêncio.


Conto com a vossa presença, num fim de tarde que será preenchido com música e poesia, e a participação de
nomes consagrados no âmbito das Letras e Artes.
Aproveito a oportunidade para vos dizer que a falta de publicações periódicas, a que estão habituados, se deve ao facto de me encontrar bastante ocupada. Não só com toda a campanha de marketing e divulgação do meu livro, mas também com a escrita de um romance que desejo terminar antes do fim do ano. Agradeço a vossa compreensão e prometo fazer os possíveis para continuar, muito em breve, com a postagem de artigos no meu blogue.
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