O amor é aquele sentimento que, tal como a paixão, não se consegue mascarar ou esconder, por muito que se tente. Mesmo que as palavras para o expressar nos morram na garganta; mesmo que evitemos olhar o outro nos olhos; mesmo que usemos de subterfúgios para não dar o “braço a torcer”e admitir o que sentimos. É muito mais fácil fingir-se que se ama, quando o que sentimos é desamor. Há mesmo aqueles que são peritos na matéria: actores consumados, pela experiência do desengano!
Quando, pelo contrário, o amor nos enche o coração e a paixão nos arrebata os sentidos, a nossa maneira de estar transfigura-se e passamos a ter uma outra postura, quer queiramos ou não.
É a linguagem não verbal que nos atraiçoa: o olhar ganha um novo brilho; os gestos adquirem uma maior suavidade; o andar é menos pressuroso; a fala torna-se ora impetuosa, ora comedida; o tom de voz altera-se. Mas é o olhar que, sem dúvida, não falha nunca em mostrar o que nos vai na alma. Será por isso que, às vezes, preferimos fazer amor às escuras? Será por isso que é muito mais fácil acabar uma relação sem estar na presença da pessoa que abandonamos? (mais…)
Resultados da Pesquisa Arquivos: Julho 2007
28 de Julho de 2007
A linguagem do amor
27 de Julho de 2007
Trinta e oito anos depois…

A última vez que estivera em Sevilha fora por ocasião da viagem de fim de curso, do 7º ano. Esse era o tempo em que as escolas secundárias se chamavam liceus; não havia ainda o 12º ano e não era permitida a mistura dos dois sexos, nas instituições escolares da época.
Foi assim que eu, as minhas colegas e amigas do 7º F, e muitas outras meninas viajámos de autocarro, na descoberta da província da Andaluzia. O que mais ficou gravado na minha memória e ainda recordo, ao fim de tantos anos, foi a camaradagem e a liberdade, fora do espaço da aula, associadas ao entusiasmo de, pela primeira vez (para muitas), sairmos do nosso país. Também retive para sempre o deslumbramento que senti face a muitos dos monumentos visitados, tais como os Palácios de Alcázar e Alhambra. (mais…)
1 de Julho de 2007
História de uma mulher
Tinha vivido muito e sofrido também. Tinha sido esposa, amiga, companheira e amante. Tudo isto não necessariamente ao mesmo tempo. Às vezes sim, só que com parceiros diferentes. Nem sequer deveriam ter essa denominação. Eram homens! Isso bastava. Ou iludia-se a pensar que era suficiente. Davam-lhe atenção, pensava ela. Mas não a devida. Conheciam-lhe o corpo, escutavam os seus gemidos de prazer, sem perceberem que alguns, muitos mesmo, eram fingidos e simulados. Pensavam que a possuíam, coitados! Somavam louros e galhardetes. Eram assim os homens que escolhia. Não que o fizesse de propósito, não senhor. Ou talvez, inconscientemente, quisesse usá-los, sem se dar a conhecer, para depois se descartar deles, com a desculpa de não saberem amá-la. Queria ser amada. Essa era a verdade! Mas não pelo corpo. Todavia era o corpo que lhes oferecia, alardeando a sua emancipação de mulher liberta e madura. E a alma? E aquela interioridade que até a assustava a si própria, algumas vezes? Tudo isso encobria por medo de ser rejeitada. Como tinha sido, em jovem, ao mostrar-se tal como era. Depois, apagara-se. Não, nem tanto assim. Talvez se tenha escondido por detrás de um corpo e de um jogo de sedução. Tornou-se perita na conquista e, quando o fastio, cansaço ou indiferença ganhavam forma, era mais fácil o afastamento porque, na realidade, não existia amor e a alma saia ilesa. (mais…)

