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O sabor agridoce da vingança

Os dias sucedem-se numa igualidade e monotonia apavorante. Dá-me para ir ver James Bond, preenchendo algumas horas de uma tarde de sábado calmosa, propícia a um remanso, numa sala de ar fresco, ainda que artificial. Não me recordo quando foi a última vez que vi um filme do famoso 007, visto não fazer parte [...]

A memória de mim

Vivo com a memória de mim
Perseguindo no desnudado espaço
Um tempo que chegou ao fim
Duvidando se ainda sou
Quem outrora o amor beijou.

Tenho saudades de em teus olhos
Espelhada, minha imagem reencontrar.
Tenho saudades de em tuas mãos
Aninhada, minha alma reinventar.

Na sombra da que noutro lugar fui
Olho-me sem jamais me perceber
Sinto saudades de mim
Onde estou há muito deixei de [...]

Escrevo para me encontrar

São os versos pétalas do meu desencanto
São as sílabas frutos de um perdido olhar
Amadurecidos no bosque do meu pranto
Escrevo para no abandono me encontrar.

O poema é afago na longa noite fria
Regalo nas mãos desertas do teu calor
Janela entreaberta em minha casa vazia
Escrevo para a desnuda solidão enfeitar.

São as páginas o alvorecer do meu clamor
Escrevo para [...]

Neste dia monótono e cansado

Neste dia de amanhecer inacabado
Em nuvens duma melancolia sensabor
Vem de manso desfolhar meu enfado
E despertar meu desejo sem pudor.

Neste dia de um céu entorpecido
Onde o sol se acosta sem fulgir
Pinta de ilusão meu sonho perdido.

Neste dia de horas dormentes
Meu fugidio sorriso vem colher
E cala o eco do saturado entardecer.

Neste dia monótono e cansado
Convido-te a pressentir [...]

Sílabas salgadas na casa das palavras

A sua poesia é transparente e luminosa, com laivos de um bucolismo romântico, na tangente de uma sensualidade diáfana. O eu lírico move-se e espraia-se num espaço sensorial onde ocorre uma simbiose com a Natureza.
Os seus poemas são searas de palavras, ondulando na frescura da serra, iluminadas pelo fulgor do sol reflectido no azul plácido [...]

Amor é…

Amor é rio que jorra indomável
De uma nascente não conhecida
É verbo conjugado a fecundar
O livro branco da Vida.

É varanda de rosmaninho enfeitada
Num céu de janelas sem cortinas
É ceifa de luxuriante festim
Em corpos de virgens colinas.

É seara doirada de versos por colher
É campo estival de risos plantado
Cantata bucólica em compasso lunar
Constelação de desejo no entardecer
É o [...]