Comentários Recentes

Visitantes Únicos

Canto do meu encanto

Trago-te em mim…
Vieste pela lonjura dos agitados oceanos
No tua eterna beleza, na tua infinita cor.
Tão igual como quando te deixei
Te alojaste no côncavo da minha dor.

Vives em mim…
Doce vaga a beijar o areal da desolação
Suave vento a acariciar o abismo da incerteza
Oásis onde descanso da minha solidão
Lago onde me dispo da minha fraqueza.

Na noite onde [...]

Clareira de sonhos

Na jornada por tempos entrecruzados
onde se acoita a tímida esperança,
vou dar a uma afagosa clareira
onde sempre é dia e o sol nunca se deita.

Pela neblina agora desvanecida
entra o brilho de um ridente amanhã.
O vento da incerteza queda-se mudo,
dissolvendo-se nas cintilantes partículas
lavadas no copioso rio da minha imaginação.

Repouso nos campos fertilizados
pelas mágicas sementes dos meus sonhos;
Colho [...]

Ma vie en rose

 

“Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade.” (Epicuro)

Naquela noite quente de finais da Primavera, depois de um cruzeiro, Douro abaixo, os nossos olhos e ouvidos rendiam-se à maravilhosa interpretação de Piaf, na simpática, acolhedora sala do Rivoli. De quando em quando, entreolhávamo-nos ou [...]

Malogrados encontros

São encontros preparados com enfeites de garrida expectativa ou enfastiante veleidade, tingidos dos dissabores de passadas vidas.

São encontros ensaiados nas horas gastas pelo torpor da solidão ou arrebatados nos instantes fugazes que se perdem em ilusões sofridas.

Despidos do sabor da espontaneidade, com gestos estudados e sorrisos de pinceladas sem cor.
Ajeita-se um cabelo mais rebelde, brinca-se [...]

Canto do silêncio

O silêncio voltou a morar em mim…

Presente nas ditas palavras perdidas
Insinua-se nas conversas ocas
Em olhares pesados da carência
No martelado ruído de vozes sem sentido
Nos débeis sorrisos de enganosas bocas
Nos gestos saturados da ausência.

Circunda-me como uma vaga que me afunda
Embala meu reprimido lamento já finado
Sementa o pulsar de um queixume indefinido
Canta uma elegia em verso inacabado.

Casa do vazio

A saudade habita a casa do vazio
Onde pelas frinchas das portas fendidas
Perpassa o gemido acabado do frio
E a dor paralisada se deixa solidificar
Nos sulcos rasgados das lágrimas caídas.

O sussurro brando das cálidas memórias
Acalma a fúria do desolado pranto
A escorrer tristeza nas esconsas paredes
Num tempo sumido de passadas histórias
Onde ressoa o eco dum descolorido canto.