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Ridente luz

A ridente luz quebrou
o turvo silêncio
que pervertia o meu viver.

Veio do distante poente
soltando a promessa
de um acalentado amanhecer.

Varreu da minha tez
cansadas tortuosas arestas.
Limpou de uma só vez
antigas memórias funestas.

Secou da febril apreensão
o sombrio queixume.
Cobriu com rios de esperança
o cerne do meu lesado coração.

Meu desejo

Meu desejo deitou-se, a medo, na doirada planície dos sonhos por germinar.
O vento, do alto do morro, sussurrou-lhe baladas de um comovido querer.
A lua banhou-o no esplendor efervescente de amanhãs por desvendar.

O ribeiro entoou-lhe um promitente canto e lavou o seu antigo lamento.
Veio o sol e cobriu-o com a manta garrida de um [...]

Pode ser que amanhã…

Pode ser que amanhã …
O anil desça do firmamento
E venha banhar de luz o pântano do meu viver
… À minha porta se deite a lua suavizada
Pela brisa de um cristalino amanhecer
… No vão mais escuro da escada
Onde meus passos entoam um incolor lamento
Eu vá encontrar aquele livro meio lido
E descubra nele o tesouro de um [...]

Auto-Retrato

No olhar reflectido o breu do padecer
Nos lábios a palidez do dia por sorrir
Nos gestos o torpor curvo do entardecer
Nas mãos um manto de estrelas sem luzir.

Na face vestígios de primaveras perdidas
Na pele árias dispersas de afagos finados
Na garganta sufocos de rimas vencidas
No peito o lume de sonhos desencantados.

Prisioneira na teia de uma pintura esgotada
Meus [...]