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4 de Setembro de 2010

Resultados da Pesquisa Arquivos: Dezembro 2009

20 de Dezembro de 2009

Regresso a mim

by Julieta Ferreira — Categories: Poesia5 Comentários

Foi o tempo que parou
Ou fui eu que no tempo parei?
A outra que era volta a ressurgir
Solta de uma desfalecida realidade
Existo sem limites… intacta agora.

Anos… tantos anos, meses e dias
Suprimidos ou esvaídos numa hora!
Regresso onde nunca me vi partir
Caminho ao encontro da contínua idade
Pelas ruas do passado que habitei.

No momento reconheço-me por fim
Recupero-me num amanhecer de alegrias
Revisito a escondida memória de mim
Já não me imagino … simplesmente sou!

6 de Dezembro de 2009

Incidentes de percurso

by Julieta Ferreira — Categories: Diário2 Comentários

Meados de Junho de 2007. Lisboa tinha amanhecido de cara tristonha mas lavada pela chuva que caíra, em catadupa, na véspera. Preparei-me, com esmero e entusiasmo, para aquele encontro que havia sido planeado por um grupo de amigos virtuais, assíduos leitores do meu blogue.

O local escolhido não poderia ter sido melhor. A vista do Hotel Vila Galé, na Ericeira, é simplesmente soberba e até o sol não se fez rogado e brilhou com fulgor, dispersando, a pouco e pouco, algumas das nuvens negras que ainda pairavam, no firmamento. Foi aí, junto à piscina, por entre sorrisos, gestos largos, olhares brilhantes e expressões inquiridoras, que a vi pela primeira vez. Tinha sido convidada por aquele que organizara este convívio e nunca tinha visitado o meu blogue. Houve um imediato reconhecimento. Sentimos que existia entre nós um elo místico, inexplicável, tão próprio daqueles que comungam de uma personalidade e de uma visão estranhas no pensar de alguns. Soubemos que havia afinidades que nos uniam, sem trocarmos muitas palavras.

Não só pertencíamos ao mundo enigmático e profundo das águas governadas pelo deus mítico, Neptuno, como também éramos bafejadas com o dom da criatividade. Para além disso, viríamos a descobrir a mesma exaltada afeição pela cidade de Ulisses, onde nascêramos e que viria a ter grande relevo nos livros – embora de carácter diferente – que publicámos. O nosso segundo e terceiro encontros estiveram relacionados com o comum gosto pelas artes. Mas seria no quarto encontro, numa famosa gelataria, junto à Praça de Londres que, numa cúmplice partilha de segredos, nos descobriríamos e encetaríamos uma amizade.

Dois anos mais tarde, voltaríamos a estar juntas. Desta vez, teríamos a oportunidade de conviver diariamente, consolidando uma afeição que principiara num daqueles incidentes de percurso a que sempre dou tanto valor. Contudo, nunca imaginei que ela viria a ter uma importância vital na concretização do meu sonho de voltar a viver no solo pátrio. É fascinante aperceber-me hoje como o Universo iniciou uma trajectória que me colocaria no momento presente, a fazer os preparativos para a minha viagem de regresso, daqui a três semanas.

Mais uma vez, o que me está a acontecer, vem reforçar a ideia de que nada acontece por acaso e nunca devemos desprezar mesmo aqueles encontros que julgamos ser insignificantes.

(Dedicado à Isabel, com um especial agradecimento e muito carinho.)

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