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A ilusiva felicidade

A palavra felicidade aplica-se a um estado do ser humano que pode ser designado como emoção ou sentimento e, por ser um conceito, não usufrui de uma existência própria, fora daquele ou daquela que o sente ou vive. O seu carácter abstracto, indefinido e subjectivo faz dele alvo de variadas interpretações, especulações e teorizações. A quem servem e para que servem?
Tudo o que pertence ao âmago dos humanos, fazendo parte de um mundo não visível, não palpável e não comensurável, tem sido motivo de grande interesse para estudiosos da psique, filósofos e artistas. E não só! Até os menos dotados se aplicam numa busca constante de tentar explicar o inexplicável: essa é mesmo uma das características dos humanos. Por um lado, empenham-se em provar a sua superioridade e sabedoria; por outro lado, é o prazer desmedido que sentem em chegar a conclusões ou teorias ainda não exploradas por outros (pelo menos que eles o saibam!). É assim que alimentam essa fome de competição e de proeminência que os consome.
Do que se esquecem é que, no tocante a conceitos tais como a Felicidade, esse sucesso almejado, uma vez atingido, será passageiro e ilusório, tal como o conceito em si.
Assim como o momento feliz que se vive hoje, nunca se repetirá da mesma forma, em intensidade ou qualidade, assim também a definição ou explicação que lhe dermos porque ficará ultrapassada por muitas outras e porque nunca chegará a captar a verdadeira essência do que se pretende definir ou explicar.
Nalguns dos idiomas (sendo o nosso um deles) há a possibilidade de se estabelecer uma diferença entre dois estados de felicidade – um mais permanente e outro mais transitório – pelo emprego dos verbos que escolhemos na altura. Ser ou Estar feliz não designa exactamente o mesmo, delimitando sentires diversos. Contudo, não serão os verbos que resolverão a problemática implícita neste conceito tão ilusório.
Nem na infância, a felicidade se mostra num estado de permanência. A diferença é que, nesse período de vida, não há ainda a capacidade e suficiente conhecimento para verbalizar a sua presença ou a sua ausência. No entanto, as manifestações físicas e emocionais, que geralmente acompanham tal estado, estão presentes em qualquer idade.
Na ausência da felicidade é que nos apercebemos do seu verdadeiro significado; muitas das vezes, no momento em que a vivemos ou sentimos, não nos damos conta de que a albergamos em nós.

No livro “A Arte da Felicidade”, Dalai Lama afirma :

«Acredito que o objectivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade.»

Mesmo aqueles que não estejam de acordo com a filosofia do Budismo, poderão ver o grande significado de tal afirmação e valorizar tal pensamento. Ora, segundo esta visão, parece que um dos princípios ou motivações de vida que nos aproxima uns dos outros, é também aquele que nos distancia, acabando por provocar, muitas vezes, antagonismos irreparáveis.
Dependendo dos meios usados, a busca da felicidade de um pode colidir com a de outros e a conquista da mesma pode resultar na infelicidade dos demais.
Devido à intrínseca insatisfação da Humanidade, o estado de felicidade nunca será pleno e total: haverá sempre algo mais que se procura, incessantemente e continuamente, mesmo que não saibamos o que esse algo é! A felicidade que sentimos hoje já não servirá o mesmo propósito amanhã e assim a busca nunca terminará.
Daí, ser impossível definir o que não é definível!

3 comentarios a A ilusiva felicidade

  • minda

    julieta:

    Parafraseio a frase do Dalai Lama em que ele faz uma das suas muitas afirmações sobre a FELICIDADE:

    «Acredito que o objectivo da nossa vida seja a busca da felicidade. Isso está claro. Quer se acredite em religião ou não, quer se acredite nesta religião ou naquela, todos nós buscamos algo melhor na vida. Portanto, acho que a motivação da nossa vida é a felicidade.»

    É óbvio que todos nós, buscamos incessantemente a FELICIDADE.
    A nossa busca é constante, procuramos, procuramos e a maioria das vezes, cruzamo-nos com ela e nem a vemos…

    Nos dias de hoje a maioria das pessoas buscam-na fora de si, nas coisas materiais, nos prazeres carnais e esquecem-se de a procurar dentro de si.

    A filosofia budista, ou religião como lhe queiras chamar, ajuda-nos a traçar esse caminho interior.

    Só quando encontramos o nosso trilho, o caminho que nos leva à luz de paz e felicidade, conseguiremos dar valor a todas as coisas etéreas mas também as saborosas coisas da terra.

    parabéns pelo teu novo caminho.
    beijinhos
    minda

  • ju

    Nos dias de hoje a maioria das pessoas buscam-na fora de si, nas coisas materiais, nos prazeres carnais e esquecem-se de a procurarm dentro de si.

    Estou completamente de acordo; eu por ex: já encontrei a felicidade, dentro e fora de mim, para se ter felicidade, é preciso saber-se viver em união, em amor, em amizade, e seja qual for o teu conceito da religião, para mim não existe felicidade sem se estar em Graça de Deus
    Força amiga sucesso.

  • Minda e Ju, agradeço a visita e os vossos comentários que complementam o meu artigo.
    Fico satisfeita por terem visitado o meu novo “cantinho” e espero que voltem sempre.
    Beijos.

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