<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Julieta Ferreira &#187; Autores Preferidos</title>
	<atom:link href="http://julieta-ferreira.com/blog/category/autores-preferidos/feed" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://julieta-ferreira.com/blog</link>
	<description>Romancista, Poetisa e Cronista</description>
	<lastBuildDate>Mon, 05 Jul 2010 10:55:59 +0000</lastBuildDate>
	<generator>http://wordpress.org/?v=2.9.2</generator>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
			<item>
		<title>Sílabas salgadas na casa das palavras</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/silabas-salgadas-na-casa-das-palavras.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/silabas-salgadas-na-casa-das-palavras.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 10:06:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/?p=284</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
<p>A sua poesia é transparente e luminosa, com laivos de um bucolismo romântico, na tangente de uma sensualidade diáfana. O eu lírico move-se e espraia-se num espaço sensorial onde ocorre uma simbiose com a Natureza.
Os seus poemas são searas de palavras, ondulando na frescura da serra, iluminadas pelo fulgor do sol reflectido no azul plácido [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://photos1.hi5.com/0039/489/160/Qe3jA9489160-02.jpg" alt="" width="282" height="195" /></p>
<p>A sua poesia é transparente e luminosa, com laivos de um bucolismo romântico, na tangente de uma sensualidade diáfana. O eu lírico move-se e espraia-se num espaço sensorial onde ocorre uma simbiose com a Natureza.<br />
Os seus poemas são searas de palavras, ondulando na frescura da serra, iluminadas pelo fulgor do sol reflectido no azul plácido do Sado e salpicadas de sal.<br />
Quando não dá aulas, <strong>Fernando Paulino</strong> dedica-se ao industrioso ofício de poetar ou sonhar. Pois, como ele próprio afirma, <em>o trabalho do poeta é sonhar</em>. E ele trouxe os seus sonhos até mim, abrindo as portas da sua casa das palavras, onde o sol se deita e há um silêncio luminoso e habitado por dentro, uma respiração quente de esperança e os dias se constroem entre versos. E nesses versos, o rio e a serra, que o viram nascer, são uma constante e as palavras, <em>breves nuvens iluminadas</em>, (no dizer do autor) florescem ao ritmo das vagas brancas e do voo das gaivotas, embaladas pelo vento e pela luz.</p>
<p><span id="more-284"></span>Foram essas palavras, de sílabas salgadas e de tonalidades de anil, que me tocaram numa leveza e doçura, e me aqueceram a alma, necessitada de brilho.<br />
Foi por isso que decidi partilhar convosco alguns desses poemas e também porque não quero perder a oportunidade de divulgar um poeta contemporâneo que já foi galardoado em várias edições do Concurso Literário “<strong><em>Manuel Maria Barbosa du Bocage</em></strong>”, iniciativa promovida pela Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão (LASA).</p>
<p>Cada palavra<br />
É uma janela aberta<br />
Uma vela alada<br />
No sono do rio</p>
<p>Ponte iluminada<br />
Entre a maresia<br />
E o sal das sílabas.</p>
<p>Ainda há searas de tempo<br />
Onde guardamos o ritmo das marés<br />
Ou o doirado da luz</p>
<p>Vento<br />
A descobrir<br />
Beijos de ondas<br />
Onde um secreto verso<br />
Aquece os voo dos cisnes<br />
E adoça a aura das mãos.</p>
<p>Ponho as palavras nas tuas mãos<br />
E procuro caminhos</p>
<p>Trago no coração<br />
Uma asa de ave<br />
Um tempo semeado<br />
No sono do rio</p>
<p>Ponho as palavras nas tuas mãos<br />
E descubro destinos.</p>
<p>(Extractos de <strong><em>Searas de Palavras</em></strong>)</p>
<p>Há uma flor<br />
nos lábios<br />
dos dias<br />
uma sedução<br />
nos braços<br />
da saudade</p>
<p>As palavras<br />
emudecem<br />
na intacta<br />
nudez<br />
dos olhares</p>
<p>A luz<br />
desenha<br />
a compasso<br />
as formas<br />
do teu rosto</p>
<p>As mãos<br />
desfolham-se<br />
em claridades<br />
indiferentes a tudo<br />
o que sabem ser<br />
inacessível.</p>
<p>Que saudade<br />
quieta<br />
segreda<br />
esse quente<br />
rio de sal<br />
na pele graciosa</p>
<p>Onde o doirado<br />
das formas<br />
se enrola suavemente<br />
nos dedos.</p>
<p>(Extractos de <strong><em>A luz e a Rosa</em></strong>)</p>
<p>Descobri<br />
no vento<br />
da serra<br />
a tua<br />
ausência</p>
<p>Perfumada<br />
de alecrim<br />
e rosmaninho</p>
<p>Espalhada<br />
pelos caminhos<br />
do meu<br />
corpo.</p>
<p>Somos<br />
feitos<br />
da matéria<br />
da luz</p>
<p>Sopro<br />
que se transforma<br />
em vida</p>
<p>Em cada<br />
instante<br />
inacabado.</p>
<p>(Extractos de <strong><em>Nas margens do Azul</em></strong>)</p>
<p><strong>Nasce o Sol</strong></p>
<p>Nasce o sol, nasce nos lugares onde tudo nasce, onde nasce a paz<br />
onde nasce o amor, onde nasce a liberdade.</p>
<p>Entramos na poesia que é inutilmente útil com a alegria de sempre, como habitar esta casa de palavras?</p>
<p>Habitá-la com o rosto do rio, um longínquo veleiro, algumas gaivotas em pleno voo,<br />
conchas pequenas rochas e sílabas salgadas.</p>
<p>Habitar a casa com o canto das aves, o eco segredado das nascentes, a alegria perfumada do alecrim, o murmúrio dos ventos.</p>
<p>Habitar a casa com os sabores da terra, mel e frutos secos, figos romãs e laranjas do ramo.</p>
<p>Por fim, habitar a casa com a luz que ilumina o dia, o verão puro de cada lugar, a atenção do navegante do mundo, a altura de colher nas letras o reflexo intenso de um olhar.</p>
<p>Nasce o sol, nasce nos lugares onde tudo nasce, onde nasce a paz<br />
onde nasce o amor, onde nasce a amizade.</p>
<p><em>Fernando Paulino<br />
</em><strong></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/silabas-salgadas-na-casa-das-palavras.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poética Contraditória</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/poetica-contraditoria.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/poetica-contraditoria.html#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 05 Oct 2007 19:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/poetica-contraditoria.html</guid>
		<description><![CDATA[<p>Não digas o que sabes nos teus versos,
Deixa para trás a ciência e a consciência;
Tudo aquilo que em ti não for ausência
São ideais perdidos, ou submersos.</p>
<p>Abandona-te às vozes que não ouves,
E liberta os teus deuses nos teus dedos;
Não busques os sorrisos, mas os medos,
E o que não for ignoto e só, não louves.</p>
<p>Ser misterioso e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não digas o que sabes nos teus versos,<br />
Deixa para trás a ciência e a consciência;<br />
Tudo aquilo que em ti não for ausência<br />
São ideais perdidos, ou submersos.</p>
<p>Abandona-te às vozes que não ouves,<br />
E liberta os teus deuses nos teus dedos;<br />
Não busques os sorrisos, mas os medos,<br />
E o que não for ignoto e só, não louves.</p>
<p>Ser misterioso e triste, é ser poeta:<br />
Mesmo a luz que palpita nos teus cantos.<br />
É uma imagem heroica dos teus prantos.</p>
<p>Percorre o teu caminho até ao fundo,<br />
E com os versos que achaste, aumenta o mundo.<br />
Não sejas um escritor, mas um profeta.</p>
<p><strong>António Quadros</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/poetica-contraditoria.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A sombra sou eu</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/a-sombra-sou-eu.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/a-sombra-sou-eu.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2007 13:39:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/a-sombra-sou-eu.html</guid>
		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei dó que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><img src="http://www.instituto-camoes.pt/cvc/literatura/almada.jpg" align="left" height="214" width="142" />A minha sombra sou eu,<br />
ela não me segue,<br />
eu estou na minha sombra<br />
e não vou em mim.<br />
Sombra de mim que recebo luz,<br />
sombra atrelada ao que eu nasci,<br />
distância imutável de minha sombra a mim,<br />
toco-me e não me atinjo,<br />
só sei dó que seria<br />
se de minha sombra chegasse a mim.<br />
Passa-se tudo em seguir-me<br />
e finjo que sou eu que sigo,<br />
finjo que sou eu que vou<br />
e que não me persigo.<br />
Faço por confundir a minha sombra comigo:<br />
estou sempre às portas da vida,<br />
sempre lá, sempre às portas de mim!</p>
<p><strong>Almada Negreiros </strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/a-sombra-sou-eu.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Há palavras que nos beijam</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/ha-palavras-que-nos-beijam.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/ha-palavras-que-nos-beijam.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2007 13:22:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/ha-palavras-que-nos-beijam.html</guid>
		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">(O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><img src="http://www.arlindo-correia.com/oneil.jpg" align="right" height="236" width="162" />Há palavras que nos beijam<br />
Como se tivessem boca,<br />
Palavras de amor, de esperança,<br />
De imenso amor, de esperança louca.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal">Palavras nuas que beijas<br />
Quando a noite perde o rosto,<br />
Palavras que se recusam<br />
Aos muros do teu desgosto.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal">De repente coloridas<br />
Entre palavras sem cor,<br />
Esperadas, inesperadas<br />
Como a poesia ou o amor.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal">(O nome de quem se ama<br />
Letra a letra revelado<br />
No mármore distraído,<br />
No papel abandonado)</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal">Palavras que nos transportam<br />
Aonde a noite é mais forte,<br />
Ao silêncio dos amantes.</p>
<p><strong>Alexandre O&#8217;Neill</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/ha-palavras-que-nos-beijam.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A vida</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/a-vida.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/a-vida.html#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 03 Oct 2007 13:14:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/a-vida.html</guid>
		<description><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify">]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal"><img src="http://aguarelas.blogs.sapo.pt/arquivo/Florbela%20Espanca.jpg" align="left" height="271" width="237" </p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><span style="font-weight: normal">É vão o amor, o ódio, ou o desdém;<br />
Inútil o desejo e o sentimento&#8230;<br />
Lançar um grande amor aos pés de alguém<br />
O mesmo é que lançar flores ao vento!</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><strong><span style="font-weight: normal">Todos somos no mundo,<br />
Uma alegria é feita dum tormento,<br />
Um riso é sempre o eco dum lamento,<br />
Sabe-se lá um beijo de onde vem!</span></strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><strong><strong><span style="font-weight: normal">A mais nobre ilusão morre&#8230; desfaz-se&#8230;<br />
Uma saudade morta <st1:personname productid="em nós renasce ?Que" w:st="on">em  nós renasce<br />
Que</st1:personname> no mesmo momento é já perdida&#8230;</span></strong></strong></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify"><strong><strong><strong><strong><span style="font-weight: normal">Amar-te a vida inteira eu não podia.<br />
A gente esquece sempre o bem de um dia.<br />
Que queres, meu Amor, se é isto a vida!</span></strong></strong></strong></strong></p>
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Florbela Espanca </strong></strong></strong></strong></strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/a-vida.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cinismos</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/cinismos.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/cinismos.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Sep 2007 15:52:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/cinismos.html</guid>
		<description><![CDATA[<p>Eu hei-de lhe falar lugubremente
Do meu amor enorme e massacrado,
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.</p>
<p>Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,
Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário,
E ser menos que um Judas empalhado.</p>
<p>Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário
E, desvendar a vida, o mundo, o gozo,
Como um velho filósofo lendário.</p>
<p>Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,
Os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.vidaslusofonas.pt/cesario1.jpg" align="left" height="236" width="186" />Eu hei-de lhe falar lugubremente<br />
Do meu amor enorme e massacrado,<br />
Falar-lhe com a luz e a fé dum crente.</p>
<p>Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado,<br />
Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário,<br />
E ser menos que um Judas empalhado.</p>
<p>Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário<br />
E, desvendar a vida, o mundo, o gozo,<br />
Como um velho filósofo lendário.</p>
<p>Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso,<br />
Os pegos abismais da minha vida,<br />
E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso,</p>
<p>Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida,<br />
Cheia de dor, tremente, alucinada,<br />
E há-de chorar, chorar enternecida!</p>
<p>E eu hei-de, entáo, soltar uma risada&#8230;</p>
<p><strong>Cesário Verde</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/cinismos.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>3</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mudam-se os tempos&#8230;</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/mudam-se-os-tempos.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/mudam-se-os-tempos.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Sep 2007 15:38:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/mudam-se-os-tempos.html</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.</p>
<p>Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.</p>
<p>O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://web.educom.pt/escolovar/camoes_retrato02.gif" align="top" height="198" width="208" /></p>
<p>Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,<br />
Muda-se o ser, muda-se a confiança;<br />
Todo o mundo é composto de mudança,<br />
Tomando sempre novas qualidades.</p>
<p>Continuamente vemos novidades,<br />
Diferentes em tudo da esperança;<br />
Do mal ficam as mágoas na lembrança,<br />
E do bem, se algum houve, as saudades.</p>
<p>O tempo cobre o chão de verde manto,<br />
Que já coberto foi de neve fria,<br />
E em mim converte em choro o doce canto.</p>
<p>E, afora este mudar-se cada dia,<br />
Outra mudança faz de mor espanto:<br />
Que não se muda já como soía.</p>
<p><strong>Luís de Camões</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/mudam-se-os-tempos.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Aos Poetas</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/aos-poetas.html</link>
		<comments>http://julieta-ferreira.com/blog/aos-poetas.html#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 30 Sep 2007 15:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Autores Preferidos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://julieta-ferreira.com/blog/aos-poetas.html</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: center"></p>
<p>Somos nós
As humanas cigarras!
Nós,
Desde os tempos de Esopo conhecidos.
Nós,
Preguiçosos insectos perseguidos.</p>
<p>Somos nós os ridículos comparsas
Da fábula burguesa da formiga.
Nós, a tribo faminta de ciganos
Que se abriga
Ao luar.
Nós, que nunca passamos
A passar!&#8230;</p>
<p>Somos nós, e só nós podemos ter
Asas sonoras,
Asas que em certas horas
Palpitam,
Asas que morrem, mas que ressuscitam
Da sepultura!
E que da planura
Da seara
Erguem a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img src="http://tbn0.google.com/images?q=tbn:J30lM0elRosAYM:http://ebicuba.drealentejo.pt/ebicuba/jornal/fotos-personalidade/miguel-torga/miguel_torga.jpg" height="140" width="136" /></p>
<p>Somos nós<br />
As humanas cigarras!<br />
Nós,<br />
Desde os tempos de Esopo conhecidos.<br />
Nós,<br />
Preguiçosos insectos perseguidos.</p>
<p>Somos nós os ridículos comparsas<br />
Da fábula burguesa da formiga.<br />
Nós, a tribo faminta de ciganos<br />
Que se abriga<br />
Ao luar.<br />
Nós, que nunca passamos<br />
A passar!&#8230;</p>
<p>Somos nós, e só nós podemos ter<br />
Asas sonoras,<br />
Asas que em certas horas<br />
Palpitam,<br />
Asas que morrem, mas que ressuscitam<br />
Da sepultura!<br />
E que da planura<br />
Da seara<br />
Erguem a um campo de maior altura<br />
A mão que só altura semeara.</p>
<p>Por isso a vós, Poetas, eu levanto<br />
A taça fraternal deste meu canto,<br />
E bebo em vossa honra o doce vinho<br />
Da amizade e da paz!<br />
Vinho que não é meu,<br />
mas sim do mosto que a beleza traz!</p>
<p>E vos digo e conjuro que canteis!<br />
Que sejais menestreis<br />
De uma gesta de amor universal!<br />
Duma epopeia que não tenha reis,<br />
Mas homens de tamanho natural!<br />
Homens de toda a terra sem fronteiras!<br />
De todos os feitios e maneiras,<br />
Da cor que o sol lhes deu à flor da pele!<br />
Crias de Adão e Eva verdadeiras!<br />
Homens da torre de Babel!</p>
<p>Homens do dia a dia<br />
Que levantem paredes de ilusão!<br />
Homens de pés no chão,<br />
Que se calcem de sonho e de poesia<br />
Pela graça infantil da vossa mão!</p>
<p><strong>Miguel Torga</strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://julieta-ferreira.com/blog/aos-poetas.html/feed</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>
