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	<title>Julieta Ferreira &#187; Crónica</title>
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	<description>Romancista, Poetisa e Cronista</description>
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		<title>Páscoa Feliz!</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 07:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Quer no sentido pagão, quer no sentido cristão, Páscoa é sinónimo de passagem e renascimento: passagem do Inverno para a Primavera, passagem da escravatura dos judeus, no Egipto, para a Terra Prometida e também passagem da Morte para a Vida, através da Ressurreição de Cristo.</p>
<p>Os símbolos associados a esta festa reforçam a ideia de começo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://4.bp.blogspot.com/_KQaw1cjlRQc/SsazVStyzmI/AAAAAAAACfQ/swxxgdBZW78/s320/OSTARA2009.jpg" alt="" width="237" height="254" />Quer no sentido pagão, quer no sentido cristão, <strong>Páscoa</strong> é sinónimo de <strong>passagem</strong> e <strong>renascimento</strong>: passagem do Inverno para a Primavera, passagem da escravatura dos judeus, no Egipto, para a Terra Prometida e também passagem da Morte para a Vida, através da Ressurreição de Cristo.</p>
<p>Os símbolos associados a esta festa reforçam a ideia de começo (ou recomeço) de Vida. Os ovos de chocolate ou ovos coloridos, assim como o coelho são resquícios culturais da festividade da Primavera em honra de <strong><em>Ostara</em></strong> – deusa da fertilidade e do renascimento, na mitologia anglo-saxã, nórdica e germânica – simbolizada por uma mulher que segurava um ovo na mão e observava um coelho, representante da fertilidade, pulando alegremente, a seus pés. O nome <em>Ostara</em> ou <em>Eostre</em>, como também a deusa é chamada, tem origem anglo-saxã, provinda do advérbio <em>ostar</em> que expressa algo como “Sol nascente” ou “Sol que se eleva”.<br />
Estes símbolos foram assimilados às celebrações cristãs do <strong><em>Pessach </em></strong>(<em>Passagem em hebraico</em>). Contudo, já os persas, romanos e arménios tinham o hábito de oferecer e receber ovos coloridos por esta época.</p>
<p>Para os meus assíduos leitores e amigos, fica aqui um convite: façam uma pausa nas vossas vidas apressadas e/ou atribuladas; esqueçam por alguns momentos as vossas inquietações ou pesares; deitem fora a negatividade que vos pesa; arrumem o passado que vos asfixia e procurem não estar enredados em pensamentos sombrios sobre o futuro. Apreciem esta passagem e glorifiquem o grandioso milagre da Vida que continuamente se renova. Não esqueçam o simbolismo e mensagem desta festividade, quer sejam crentes ou não. Os meus sinceros votos para que esta Páscoa seja um tempo de esperança, vitalidade, abundância e uma porta aberta para um brilhante recomeço.</p>
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		<title>Alma lusíada</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2010 18:21:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>                                        Cessem do sábio Grego e do Troiano
					As navegações grandes que fizeram;
					Cale-se de Alexandro e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://camoes9a.no.sapo.pt/images/adamastor3.jpg" alt="" width="312" height="220" /></p>
<p>                                        <em>Cessem do sábio Grego e do Troiano<br />
					As navegações grandes que fizeram;<br />
					Cale-se de Alexandro e de Trajano<br />
					A fama das vitórias que tiveram;<br />
					Que eu canto o peito ilustre Lusitano,<br />
					A quem Neptuno e Marte obedeceram:<br />
					Cesse tudo o que a Musa antígua canta,<br />
					Que outro valor mais alto se alevanta.</em></p>
<p>Que eu saiba, até os menos eruditos reconhecem facilmente os conceitos de alma e cultura e entendem, empiricamente, o seu significado. Para mais, todos nós afirmamos ter uma alma e uma cultura, ainda que muitas vezes não saibamos exactamente do que estamos a falar ou desconheçamos o seu valor.<br />
E, quando confrontados com perguntas sobre a definição dos mesmos, enveredamos por explicações básicas, seguindo os dados fornecidos por um dicionário; por aquilo que ouvimos dizer a outros e aceitamos como a verdade, sem questionarmos; ou ainda o que julgamos ser tido como universal, levados pelo hábito enraizado de uma formação religiosa e social.</p>
<p>Estes dois conceitos fascinam-me, tanto por oferecem uma dificuldade de interpretação, devido ao seu carácter abstracto e imaterial, como por estarem interligados. O que é que alma tem a ver com cultura e vice-versa? Os que me conhecem e já me leram sabem, sem sombra de dúvida, quanto eu valorizo o meu país e o enalteço de todas as formas possíveis, não dando ouvidos àqueles que se esforçam por me fazer lembrar dos pontos negativos do nosso povinho e da nossa terra. Acho que quando se ama, quando se acredita em alguém ou nalguma coisa, quando se mantém uma fé viva naquilo que se aprecia, é o mesmo: não se ama apenas o que é perfeito (venham lá dizer-me que a perfeição existe!); não se acredita apenas naquele ou naquilo que é destituído de fraquezas ou inferioridades. É da mesma maneira o que acontece com a minha paixão pelo país que é o nosso e que tão desacreditado é pelos que o habitam.</p>
<p>Ora, isto vem a propósito de eu ter afirmado, vezes sem conta, que aquilo que sinto quando estou em Portugal é a alma do país, a alma do povo: essa alma que nunca consegui encontrar em qualquer outro lugar do mundo ou noutro povo. E é essa alma que reconheço sempre que regresso, e com a qual me identifico.<br />
Contudo, tenho tentado defini-la, sem nunca ter conseguido arranjar as palavras adequadas; o mesmo se tem dado quando sou questionada, acerca da cultura portuguesa. Como posso dar àqueles, totalmente alheios à nossa alma e à nossa cultura, uma explicação fiel e honesta? Não é só a dificuldade de expressão como também a impossibilidade de pôr em palavras aquilo que tem de ser sentido e vivido, para ser compreendido. Para esse efeito, não há dicionário que me possa ajudar. No entanto, resolvi fazer uma certa investigação e fiquei a saber que em termos de arquitectura se chama alma à <em>trave </em>que sustenta outras traves. Curioso!</p>
<p>Quanto a cultura, foi a palavra <em>herança</em>, contida numa das muitas definições encontradas, que me fez pensar. Herdamos, através de gerações e de séculos, um manancial de tradições, costumes e valores que vamos modelando, adaptando às circunstâncias e aos tempos, numa dinâmica em que evoluímos sem contudo derrubarmos essa trave que mantém a raiz do que somos: essa trave mestra que é a alma que nos suporta!</p>
<p>Chego à conclusão que alma e cultura são os alicerces em que assenta uma sociedade: aquilo que faz com que sejamos quem somos, enquadrados num âmbito mundial. É assim que, de conceitos primariamente abstractos, se passa a uma realidade bem concreta e visível: a realidade do que somos, de quem somos, do que representamos! Por isso, apesar do passar do tempo e das longas ausências a que tenho sido forçada, continuo a encontrar intacta essa alma e essa cultura, na sociedade portuguesa.</p>
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		<title>Rosto do meu povo &#8211; Parte II</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/rosto-do-meu-povo-parte-ii.html</link>
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		<pubDate>Fri, 15 May 2009 07:43:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p></p>
<p>É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra</p>
<p>Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar</p>
<p>Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi
</p>
<p>Regresso sempre a Lisboa com a mesma e renovada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://k53.pbase.com/o6/21/4921/1/93951210.n491NbL9.Lisboa_Ritz7940.jpg" alt="" width="254" height="196" /></p>
<p><img class="alignright" src="http://farm1.static.flickr.com/188/462113416_1670727a58.jpg?v=0" alt="" width="245" height="178" /></p>
<p><em>É meu e vosso este fado<br />
Destino que nos amarra<br />
Por mais que seja negado<br />
Às cordas de uma guitarra</em></p>
<p><em>Sempre que se ouve o gemido<br />
De uma guitarra a cantar<br />
Fica-se logo perdido<br />
Com vontade de chorar</em></p>
<p><em>Ó gente da minha terra<br />
Agora é que eu percebi<br />
Esta tristeza que trago<br />
Foi de vós que a recebi<br />
</em><strong></strong></p>
<p>Regresso sempre a Lisboa com a mesma e renovada fascinação, que porventura teria trazido Ulisses de volta, seduzido pela doçura e claridade deste pedaço de terra, no <em>jardim da Europa, à beira-mar plantado</em>.</p>
<p>Esta é uma cidade que deve ser vista a pé. Deve ser sentida no pisar firme das suas pedras de calcário e granito, no cheirar cativo dos seus aromas que se misturam numa simbiose invulgar, no olhar demorado pelas suas fachadas seculares, na contemplação envaidecida dos seus bairros sem igual e no apreciar da sua luz que nos aquece por dentro.</p>
<p>Por toda a parte nos deparamos com contrastes, onde o passado se afirma constantemente, remetendo-nos para épocas gloriosas e feitos singulares. Nos azulejos, pelos miradouros, ou nas estátuas de mármore ou bronze a eternizar os que se distinguiram nas letras ou artes e nos deixaram um espólio riquíssimo, eu continuo a ver e a venerar o rosto multifacetado do meu povo. Sinto orgulho em ser portuguesa e em ter nascido nesta cidade!</p>
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		<title>Rosto do meu povo &#8211; Parte I</title>
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		<pubDate>Sun, 10 May 2009 10:36:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

Para Cesário, a cidade revelava-se melancólica e opressora. Era um espaço que o limitava e constrangia. Com vinte e cinco anos, nos finais do século dezanove, o poeta sente-se como que diminuído e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/01/Jose_malhoa_fado.jpg" alt="" width="228" height="189" /></p>
<p><em><strong>Nas nossas ruas, ao anoitecer,<br />
Há tal soturnidade, há tal melancolia,<br />
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia<br />
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.</strong><br />
</em><br />
Para Cesário, a cidade revelava-se melancólica e opressora. Era um espaço que o limitava e constrangia. Com vinte e cinco anos, nos finais do século dezanove, o poeta sente-se como que diminuído e oprimido pelo ambiente citadino. Existe nele uma ânsia de evasão que não consigo deixar de comparar ao melancolismo mórbido e alucinatório do rei-menino quinhentista.</p>
<p>Essa mesma tristeza profunda e patológica reaparece noutros autores, atingindo um ponto máximo na complexidade poética do mestre do século passado. Pessoa passeava pela cidade e sentia na alma a ‘<em>negra bílis</em>’ dos lisboetas.</p>
<p><em><strong>Ah quanta melancolia!<br />
Quanta, quanta solidão!<br />
Aquela alma, que vazia,<br />
Que sinto inútil e fria<br />
Dentro do meu coração!</strong></em></p>
<p>Há quem afirme que a melancolia se teria instalado, de forma definitiva, nos portugueses, a partir da nefasta e incongruente derrota em Alcácer Quibir. Ou então teria sido herdada dos Mouros e dos seus cânticos que permaneceram em Lisboa, depois da reconquista cristã. O <em>Fado</em>, de origem obscura, segundo algumas teorias, teria sido proveniente desses cânticos e daí o seu carácter dolente e melancólico. Seja como for, o certo é que a nostalgia, desilusão e resignação assaltam e invadem o nosso povo. Os poetas, melhor do que ninguém, entenderam esses sentimentos e expressaram-nos de formas variadas. Como eles, eu tenho sentido, na pele e na alma, esta maneira tão lusitana de sermos e estarmos no mundo. Mas, ao contrário de Cesário ou Pessoa, a cidade dispersa a minha melancolia e serena a minha nostalgia. Em mim, a desilusão surge da vontade de permanência, ao invés de fuga. E tão pouco me resignarei a um destino, enquanto continuar a acreditar nas infinitas leis do Universo e na minha inabalável determinação.</p>
<p>Ao palmilhar Lisboa, saboreando e sorvendo as nuances com que ela sempre me surpreende, em cada viela, praça ou esquina, eu vejo o rosto do meu povo. E vejo-o com esse vagar, emoção e deslumbramento, ausentes nas faces e vidas dos lisboetas. Pressurosos, desinteressados ou decepcionados, deixaram há muito de olhar a sua cidade e de se reconhecerem, dentro dela. Olho os pedintes de corpos chagados e andrajosos, na entrada das igrejas, e oiço as suas lamúrias. As mulheres prenhes e mal cheirosas, de criança chorosa, nos braços cansados. O homem de face enrugada e mãos calejadas que tacteia o lajedo com a bengala vacilante. Escuto o zunido dos homens, discutindo futebol e bebericando ginjinha, no Largo de São Domingos. Observo os velhos, aos magotes, de chapéu às três pancadas, atentos ao naipe de cartas, pés pesados sobre o relvado, no centro da Alameda.</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>O Fazer da História</title>
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		<pubDate>Fri, 23 Jan 2009 23:38:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Há uma generalizada tendência em associarmos a História com o passado. Esta atitude terá os seus alicerces numa aprendizagem feita durante um período em que o ensino se afastava da contemporaneidade, favorecendo os feitos históricos de eras passadas.
Estudava-se com afinco – na maioria, despidos de interesse e alheios à compreensão – as guerras dos Fenícios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://temple-news.com/files/2008/03/barack-obama-by-christopher-wink-mar-2008.jpg" alt="" width="215" height="143" /></p>
<p>Há uma generalizada tendência em associarmos a História com o passado. Esta atitude terá os seus alicerces numa aprendizagem feita durante um período em que o ensino se afastava da contemporaneidade, favorecendo os feitos históricos de eras passadas.<br />
Estudava-se com afinco – na maioria, despidos de interesse e alheios à compreensão – as guerras dos Fenícios e Visigodos, a expansão do Império Romano, as Cruzadas ou as Invasões Napoleónicas, num contexto por vezes isolado e segmentado. O aluno carecia de uma visão global, onde pudesse entender a interligação com eventos posteriores e/ou anteriores, numa continuidade que o colocasse no tempo do presente. O momento histórico actual ocuparia, quanto muito, umas dezenas de páginas, no último capítulo dos manuais escritos pelos historiadores. E essa actualidade histórica, depois de passada à forma verbal, fruto de interpretações subjectivas, pertencia já ao passado – passado próximo contudo não deixando de ser passado –<span id="more-396"></span><br />
Embora afastada há muito da docência e desconhecedora dos currículos escolares, estou em crer que, no dia de hoje, os estudos históricos se debruçam mais sobre a época presente e as implicações políticas, económicas e sociais da actualidade, quer a nível nacional, quer a nível mundial. E não só no tocante à História como também à Literatura. Hoje, tanto se estuda Gil Vicente, Camões ou Fernando Pessoa, como se lêem e analisam alguns dos autores contemporâneos, ainda vivos. Valha-nos isso!<br />
Gostaria de voltar a uma sala de aula, nos tempos correntes. Decerto seria muito mais aliciante do que na década de sessenta.<br />
Confesso que, já nos meus tempos de aluna, a História contada nos compêndios escolares nunca teve o mesmo valor ou impacto para mim do que presenciá-la, ao vivo, ou reconhecê-la nos legados dos meus antepassados. De mãos dadas com o meu pai, passeando por Lisboa, visitando monumentos ou assistindo a desfiles de marchas militares, em dias feriados, eu aprendi muito mais sobre a História de Portugal do que nos livros. Em muitas dessas ocasiões, o meu coração batia mais forte, na minha garganta formava-se um nó e os meus olhos brilhavam com uma maior intensidade. Eu sentia orgulho por ter nascido portuguesa e fazer parte da História do meu povo.<br />
Houve um momento, no passado dia 20, em que voltei a sentir uma comoção idêntica. Desta vez, os meus olhos humedeceram e o meu corpo estremeceu, num frémito de orgulho e júbilo. Desta vez, senti-me orgulhosa de ser uma cidadã do mundo e fazer parte de uma geração que testemunhou um dos momentos mais significativos na História da Humanidade. Um momento que ficará para sempre gravado na memória dos que tiveram o privilégio de presenciar o voltar da página de um livro ainda por escrever e que será lido pelas gerações futuras.<br />
Nunca antes havia eu sentido de igual forma, face à tomada de posse de um Presidente. A diferença está em Obama ser um homem que, além de falar com inteligência, usa compaixão e esperança no seu discurso e, não esquecendo o passado, convida-nos a encetar uma nova era. Sendo ele o mais poderoso líder do mundo moderno, permanece tangível e humano, com um sorriso e um olhar onde se espelham o amor, a confiança e a liberdade.<br />
Neste dia de Janeiro, igual a tantos outros e, ao mesmo tempo, diferente de tantos outros, o mundo apercebeu-se que somos nós, afinal, os fazedores da História.</p>
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		<title>Quem não lê é como quem não vê!</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/quem-nao-le-e-como-quem-nao-ve.html</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 05:11:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Livros são os meus bens preciosos. Enquanto outras mulheres ostentam jóias de grandes marcas para causar inveja nas amigas, eu manuseio os meus livros com regalo e requinte, em busca de um prazer que me afaga e me pertence exclusivamente. Eles são os adornos que nunca passam de moda e os companheiros que permanecem. Falam-me como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/album/images/Menina%20a%20ler%20-%201860.jpg" alt="" width="183" height="170" /></p>
<p>Livros são os meus bens preciosos. Enquanto outras mulheres ostentam jóias de grandes marcas para causar inveja nas amigas, eu manuseio os meus livros com regalo e requinte, em busca de um prazer que me afaga e me pertence exclusivamente. Eles são os adornos que nunca passam de moda e os companheiros que permanecem. Falam-me como se eu fosse única e não se enfadam com as minhas fraquezas ou incongruências.<br />
Desde criança que temos um relacionamento perfeito!<span id="more-357"></span><br />
Quando visito alguém, pela primeira vez, posso facilmente desprezar a mobiliária circundante, com todos os seus atavios preciosos e dispendiosos mas nunca fico indiferente perante estantes repletas desses inigualáveis <em>amigos </em>que me têm socorrido e consolado tantas vezes. E se acontece não os ver sobre a mesa da sala de visitas ou em qualquer canto da casa, acho incompreensível a sua inexistência. Quase inadvertidamente, dou por mim a conjecturar sobre aquele que parece desconhecer a insuperável magia da leitura.<!--more--><br />
Há quem prefira animais de estimação. Pois eu prefiro, incondicionalmente e indubitavelmente, os livros! Não há que os alimentar, nem tão pouco exigem o meu desvelo. Ao contrário, são eles que me alimentam e me confortam. Silentes e discretos, respondem aquelas perguntas ainda por formular, apaziguam as dúvidas latentes, abrindo caminhos para descobertas insuspeitadas.<br />
Curioso como aparecem de mansinho, sem serem esperados, num momento crucial ou quando me encontro no meio de uma encruzilhada. E, estranho que possa parecer, raramente coincide com a entrada numa livraria, no intuito de os comprar.<br />
Aqueles livros que, de uma forma ou outra, mais impacto tiveram no percurso da minha vida, vieram ao meu encontro, sem que eu os procurasse. “<em>Quando o estudante está pronto, o professor aparece</em>” é um provérbio budista que posso aplicar aos meus <em>encontros</em> com certos livros.<br />
Em Dezembro, mais uma vez, fui favorecida pelo Universo, no seguimento da decisão que tomara de não substituir, de imediato, o meu computador, furtado no principio do mês. Algo me dizia (<em>essa tal vozinha interior que tanto se aproxima do divino e descuramos amiúde</em>) que não me apressasse, pedindo-me para fazer uma pausa. Afastada do monitor a que ficara presa, horas a fio, num constante, frenético desejo de me manter ocupada para aliviar a minha solidão, optei pela leitura, sem uma ideia determinada do que desejava ler. Nem visitei uma livraria. Na casa partilhada com uma mulher que em nada se assemelha a mim e com a qual mantenho esparsas conversas de uma superficialidade torturante, na escuridade de um vão de escada, esquecidos ou ignorados, lá estavam eles, em pilha. Encontrara o meu tesouro!<br />
Tal como a escrita, a leitura é <strong>e</strong> não é um acto solitário. Ou antes: são ambos actos solitários, libertos do peso da solidão!<br />
Além do inebriante prazer e companhia que me ofertaram, ajudaram-me a <strong>ver</strong> o que eu necessitava, nesta fase da minha existência, e aguçaram o meu apetite para a escrita.<br />
Nunca como agora achei tão pertinente a frase enviada num e-mail, há dias, por um amigo e companheiro das letras: &#8220;<strong><em>Quem não lê é como quem não vê</em></strong>!&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O sabor agridoce da vingança</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/o-sabor-agridoce-da-vinganca.html</link>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 06:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Os dias sucedem-se numa igualidade e monotonia apavorante. Dá-me para ir ver James Bond, preenchendo algumas horas de uma tarde de sábado calmosa, propícia a um remanso, numa sala de ar fresco, ainda que artificial.  Não me recordo quando foi a última vez que vi um filme do famoso 007, visto não fazer parte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os dias sucedem-se numa igualidade e monotonia apavorante. Dá-me para ir ver James Bond, preenchendo algumas horas de uma tarde de sábado calmosa, propícia a um remanso, numa sala de ar fresco, ainda que artificial.  Não me recordo quando foi a última vez que vi um filme do famoso 007, visto não fazer parte das minhas preferências de assídua cinéfila. Mas ontem aventurei-me. Era isso ou ficar no quarto, debaixo da ventoinha, ruminando na quietude do meu fim-de-semana.<br />
Da vaga memória que ficara, esperava vir a ser entretida pelas façanhas de um personagem carismático, exibindo uma provocante sexualidade que, possivelmente, me faria salivar de apetência. Total engano. Foi brutalidade em vez de sexualidade com que fui confrontada, durante duas horas, fazendo um esforço por seguir uma trama em que as imagens se sucediam a uma velocidade galopante e espectacular, num emaranhado de cenas, a atestar a minha perspicácia. E apenas salivei, ao saborear, com gula, o gelado de chocolate que é uma espécie de recompensa, no final de uma semana de dieta mais restrita.<span id="more-320"></span><!--more--><br />
Ao presenciar a facilidade com que o mais famoso agente secreto britânico mata os seus contendores, fiquei a pensar no impacto que tais personagens terão no mundo agonizante em que vivemos. Tanto James Bond como a sua assistente, Camille, actuam motivados por uma desgastante vingança que os consome, roubando-lhes o sono. Mas <em>quanto conforto</em> lhes trará a concretização de tal vingança, tal como o nome do filme indica, ao usar a expressão latina, <em>quantum solace</em>?<br />
Será que um acto de vingança pode trazer conforto e apagar as pungentes memórias do passado ou ainda compensar os desgostos sofridos? Será que poderemos pôr para trás das costas o que nos perseguiu e nos aprisionou, na teia de amargo ressentimento que fomos construindo?<br />
Mais uma vez me vi forçada a pensar na violência que devasta as sociedades modernas, numa soma interminável de represálias, seguindo uma das leis mais antigas da humanidade, chamada de <em>talião</em>, e frequentemente expressa pela máxima, <em>olho por olho, dente por dente</em>.<br />
No combate aos monstros que, de uma forma ou outra, nos feriram e fragilizaram, acabamos por nos transformar também em monstros.<br />
Foi com estas cogitações que saí do cinema. Longe de ter sido confortada ou minimamente estimulada, saí sob o peso de uma realidade que ricocheteia da vida para a tela e vice-versa. Enfrentei a canícula com um arrepio e quase abençoei a amorfa placidez daquela tarde de sábado.</p>
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		<title>Ser poeta</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Oct 2008 03:41:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crónica]]></category>

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<p>Foi depois de ter lido o comentário de uma amiga ao meu poema – Há dias assim – que  surgiu a motivação para escrever o artigo que se segue.</p>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://amadeo.blog.com/repository/416391/922890.jpg" alt="" width="232" height="185" /><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:DoNotOptimizeForBrowser /> </w:WordDocument> </xml><![endif]--></p>
<p>Foi depois de ter lido o comentário de uma amiga ao meu poema – <em>Há dias assim</em> – que  surgiu a motivação para escrever o artigo que se segue.</p>
<p>Num momento ou outro, todo o poeta questiona a sua identidade como poeta, tentando defini-la, debruçando-se sobre o próprio acto de criação. Muitos dos poetas, que tão bem conhecemos, escolheram a forma que melhor sabiam para deliberarem sobre este tema, deixando-nos um espólio de versos, traduzindo essa procura contínua em se explicarem como fazedores de poesia e em mostrarem ao leitor o que significava, para eles, a produção poética.<br />
Foi assim que o genial e multifacetado Pessoa  nos deixou uma imparável definição do poeta e da poesia, numa composição magistral de auto-análise, onde joga com os conceitos do real e do imaginário, mostrando ao leitor como a vida se entrecruza com a arte.</p>
<p><em>O poeta é um fingidor.<br />
Finge tão completamente<br />
Que chega a fingir que é dor<br />
A dor que deveras sente.</em></p>
<p>Pessoa usa o conceito de dor em três níveis distintos – dor real (sentida ou vivida pelo poeta), dor imaginada (imagens da escrita criadas pelo pensamento) e ainda a dor percebida pelo leitor (intelectualização e fruição artística).<span id="more-173"></span><br />
Tal como no pensamento e no sentir não existem estruturas sintácticas e semânticas, não há lógica nem normas, assim é a poesia ou assim parece ser. Porque a poesia é a forma escrita que mais e melhor se aproxima da liberdade do pensar e do sentir, com as suas incongruências e paradoxos, somos levados a julgar que ela é o puro e directo reflexo das emoções do autor. No entanto, não nos iludemos. Não é assim tão linear.<br />
Certo que o poeta parte sempre de uma realidade-real – um estado de espírito, uma emoção, exaltação de sentidos ou vivência – mas que, ao ser transmitida para a escrita, se transforma numa realidade poética. Por muito que pareça que esta é o reflexo puro do que lhe vai na alma e na mente, a realidade do poema é uma realidade construída, idealizada. O poeta movimenta-se entre a sensação e a imaginação. Ele é o artífice da palavra e, como tal, a sua genialidade está em iludir quem o lê, em mascarar a construção, de tal modo que o leitor pense que não há construção. E, nessa construção, mascarada de espontaneidade, existe uma harmonia, ainda que as regras gramaticais sejam subvertidas.</p>
<p>Tal como diz Sophia de Mello Breyner:</p>
<p><em>Um poema não se programa<br />
Porém a disciplina<br />
-Sílaba por sílaba–<br />
O acompanha.</em></p>
<p><em>Sílaba por sílaba<br />
O poema emerge<br />
-Como se os deuses o dessem<br />
O fazemos.<br />
</em><br />
A poetisa claramente alude à construção da realidade poética a que me referi e chega a desmascarar o jogo daquele que escreve – <em>como se os deuses o dessem &#8230; o fazemos.</em></p>
<p>Por seu lado, Alberto Caeiro dá-nos uma ideia bem diferente (como seria de esperar do sensacionista ‘Guardador de Rebanhos’):</p>
<p><em>Não me importo com as rimas. Raras vezes<br />
Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.<br />
Penso e escrevo como as flores têm cor.</em></p>
<p>Ou ainda,</p>
<p><em>Quando me sento a escrever versos<br />
Ou, passeando pelos caminhos ou pelos atalhos,<br />
Escrevo versos num papel que está no meu pensamento</em></p>
<p>Contudo, o “Mestre” de Pessoa, apologista da simplicidade, não é mais do que um ser fictício e tudo o que escreve é, sem dúvida, o produto da mente prodigiosa do seu criador e, como tal, uma construção que assenta numa realidade imaginária.<br />
Seja como for e qualquer que seja a posição tomada pelos poetas, não nos esqueçamos que estamos sempre na presença de seres que jogam com as palavras e os seus múltiplos sentidos, ocultando do leitor esse jogo, assim como malabaristas que manipulam objectos com perícia, nunca dando a conhecer as suas manobras ou truques.</p>
<p>No conceito de Florbela Espanca, o poeta é muito mais do que um artífice ou malabarista, ficando muito para além dos mortais:</p>
<p><em>Ser poeta é ser mais alto, é ser maior<br />
Do que os homens! Morder como quem beija!<br />
É ser mendigo e dar como quem seja<br />
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!</em></p>
<p>Mas será mesmo? Será o poeta maior do que os homens? O Ser e o Parecer estão patentes nestes versos da poetisa que tão bem deu voz ao erotismo feminino e a estados profundos de solidão e desencanto. Estamos, novamente, perante um jogo bem engendrado de palavras e conceitos.</p>
<p>Por sua vez, Garrett pensava que o poeta se assemelha à mulher enamorada, quando afirma: “<em>São os dois entes mais parecidos da Natureza, o poeta e a mulher enamorada: vêem, sentem, pensam, falam como a outra gente não vê, não sente, não pensa nem fala.”</em></p>
<p>Novamente encontramos a diferença entre o poeta e <em>a outra gente</em>, com a excepção da mulher enamorada.  O poeta é capaz de ver, sentir, pensar e falar de uma forma distinta. Talvez porque, no dizer de Sebastião da Gama&#8230;</p>
<p><em>O poeta beija tudo, graças a Deus&#8230;. E aprende com as coisas a sua lição de sinceridade&#8230;E comove-se com coisas de nada &#8230;. e acha que tudo é importante.</em></p>
<p>Ou ainda porque &#8230;.</p>
<p><em>Ser misterioso e triste, é ser poeta:<br />
Mesmo a luz que palpita nos teus cantos.<br />
É uma imagem heroica dos teus prantos.<br />
Percorre o teu caminho até ao fundo,<br />
E com os versos que achaste, aumenta o mundo.<br />
Não sejas um escritor, mas um profeta.</em></p>
<p>Também nestes versos de António Quadros, ao poeta é conferida uma dimensão maior – a de profeta – embora não deixe de <em>ser misterioso e triste</em>. E, mais uma vez, o jogo da construção (imaginação) se encontra evidente nos versos – <em>mesmo a luz que palpita nos teus cantos, é uma imagem heróica dos teus prantos</em>.<br />
Será necessária uma certa tristeza ou melancolia para se ser poeta?<br />
Miguel Torga, no poema que dedicou e intitulou <em>Aos Poetas</em>, exprime essa mesma ideia de tristeza ao versejar : <em>Somos nós as humanas cigarras</em><em>!</em> Tal como o canto da cigarra, o canto do poeta é triste e magoado. Mas, ao finalizar o poema com a estrofe:</p>
<p><em>Homens do dia a dia<br />
Que levantem paredes de ilusão!<br />
Homens de pés no chão,<br />
Que se calcem de sonho e de poesia<br />
Pela graça infantil da vossa mão!</em></p>
<p>o poeta é agora comparado a uma criança, cuja infantilidade graciosa, tem a capacidade de trazer o sonho, a ilusão e a poesia (sinónimo de inspiração) aos homens.</p>
<p>Quer seja um fingidor, artífice ou malabarista, humilde, simplicista, profeta ou ainda um ser maior, todo o poeta é misterioso. Ao falar de si ou para si, está, simultaneamente, a falar dos outros e para os outros, nunca se dando a conhecer inteiramente.<br />
Como disse a minha amiga, nesse comentário que suscitou esta minha reflexão,&#8230; <em>os poetas mostram de forma única o que é de todos, parecendo só deles</em>. Contudo, é bom termos em mente que a interpretação da realidade do poema é tingida pelas “<em>realidades</em>” dos vários leitores. E ainda que, por muitas análises que forem feitas, nunca chegaremos a tocar a essência de qualquer poema. Essa fica perdida entre o real e o imaginário.</p>
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