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	<title>Julieta Ferreira &#187; Diário</title>
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	<description>Romancista, Poetisa e Cronista</description>
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		<title>Sessão de autógrafos na Feira do Livro</title>
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		<pubDate>Mon, 03 May 2010 18:14:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Os meus romances, Regresso a Lisboa e Sem Ponto Final, encontram-se à venda, na Feira do Livro de Lisboa, na Tenda dos Pequenos Editores, até dia 16 de Maio.</p>
<p>Na quinta-feira, dia 13 de Maio, às 17h.00, estarei lá para uma sessão de autógrafos.</p>
<p>Espero ter a oportunidade de ficar a conhecer alguns dos meus leitores.</p>
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://photos-a.ak.fbcdn.net/hphotos-ak-snc3/hs324.snc3/28828_1326633440088_1058483524_762108_8337136_s.jpg" alt="" width="130" height="98" /></p>
<p>Os meus romances, <strong>Regresso a Lisboa</strong> e <strong>Sem Ponto Final</strong>, encontram-se à venda, na Feira do Livro de Lisboa, na <strong>Tenda dos Pequenos Editores</strong>, até dia 16 de Maio.</p>
<p>Na quinta-feira, dia 13 de Maio, às 17h.00, estarei lá para uma sessão de autógrafos.</p>
<p>Espero ter a oportunidade de ficar a conhecer alguns dos meus leitores.</p>
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		<title>Do outro lado do silêncio</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 18:59:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Na passada quinta-feira, dia 22 de Abril, durante uma maratona de poesia, organizada pela poetisa setubalense, Alexandrina Pereira, e a Biblioteca Municipal de Setúbal, tive o privilégio de apresentar o meu novo livro de poemas, Do outro lado do silêncio, que marca o meu regresso definitivo a Portugal.</p>
<p>Mais uma vez, fui recebida e acarinhada de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://julieta-ferreira.com/blog/wp-content/uploads/2010/04/SAM_0500.jpg" alt="" width="321" height="245" />Na passada quinta-feira, dia 22 de Abril, durante uma maratona de poesia, organizada pela poetisa setubalense, Alexandrina Pereira, e a Biblioteca Municipal de Setúbal, tive o privilégio de apresentar o meu novo livro de poemas, <strong>Do outro lado do silêncio</strong>, que marca o meu regresso definitivo a Portugal.</p>
<p>Mais uma vez, fui recebida e acarinhada de uma forma inigualável e comovente, pelos amigos e colegas na arte de poetar. Tive também o ensejo de fazer novos conhecimentos e amizades.</p>
<p>Está para breve, durante o mês de Maio, o lançamento do meu livro, no <strong>Martinho da Arcada</strong>, um dos cafés mais emblemáticos de Lisboa, depositário de uma antiga tradição literária. Foi um prazer ter cavaqueado com o seu proprietário, Sr. António Sousa, que teve a amabilidade de me fazer as honras da casa, pormenorizando, com desvelo, as várias fotos e documentos que atestam a passagem, por aquele espaço, de grandes nomes do mundo das artes.</p>
<p>Assim que tiver mais informação, aqui deixarei o convite. Gostava muito de vos ver por lá.</p>
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		<title>O fascínio de Lisboa</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/o-fascinio-de-lisboa.html</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 14:18:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Lisboa deixa-me sempre extática!</p>
<p>Maravilho-me como uma criança, num parque de diversões, saltitando de carrossel em carrossel, de olhos esbugalhados e face corada. Revejo o brilho de um passado quando dou por mim a falar com as vendedeiras do mercado de Arroios que parecem conhecer-me e me tratam por menina. Mas sou eu que as reconheço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://4.bp.blogspot.com/_0mxlyCTmzs4/Rko1Fq4VhKI/AAAAAAAABlE/UO26s3kMWT8/s400/lisboa.jpg" alt="" width="195" height="272" />Lisboa deixa-me sempre extática!</p>
<p>Maravilho-me como uma criança, num parque de diversões, saltitando de carrossel em carrossel, de olhos esbugalhados e face corada. Revejo o brilho de um passado quando dou por mim a falar com as vendedeiras do mercado de Arroios que parecem conhecer-me e me tratam por <em>menina</em>. Mas sou eu que as reconheço e lhes fico grata pela maneira como me olham, pelas palavras ridentes com que me acolhem. O mesmo acontece quando me detenho à porta da drogaria de bairro onde, no espaço exíguo da entrada, os clientes se demoram na cavaqueira. Ou ainda quando espreito para a atravancada loja do sapateiro da esquina, rodeado de solas esburacadas que ele remenda com zelo, entre os acenos joviais que distribui pela vizinhança.</p>
<p>Respiro melhor. Vibro com intensidade ao menor sinal que aviva a minha memória e me faz recuar no tempo. Vivo em simultâneo em duas épocas distintas que se entrecruzam constantemente. Contudo, não deixo de perder a noção do presente. A realidade do momento é tão forte que alimenta a avidez que trazia comigo.</p>
<p>Entrevejo-me no reflexo que deixo no vidro das montras por onde passo e transbordo na realização de que sou finalmente aquela que desejava voltar a ser. Envolvo com ternura a cidade que me fala no silêncio do seu ar voluptuoso de amante do Tejo.</p>
<p>Aqui volto a ser menina e mulher. A minha juventude e feminilidade ganham exuberância.</p>
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		<title>Incidentes de percurso</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Dec 2009 03:24:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Meados de Junho de 2007. Lisboa tinha amanhecido de cara tristonha mas lavada pela chuva que caíra, em catadupa, na véspera. Preparei-me, com esmero e entusiasmo, para aquele encontro que havia sido planeado por um grupo de amigos virtuais, assíduos leitores do meu blogue.</p>
<p>O local escolhido não poderia ter sido melhor. A vista do Hotel [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://worldsitetravellers.files.wordpress.com/2008/08/lisboa.jpg" alt="" width="288" height="193" /></p>
<p>Meados de Junho de 2007. Lisboa tinha amanhecido de cara tristonha mas lavada pela chuva que caíra, em catadupa, na véspera. Preparei-me, com esmero e entusiasmo, para aquele encontro que havia sido planeado por um grupo de amigos virtuais, assíduos leitores do meu blogue.</p>
<p>O local escolhido não poderia ter sido melhor. A vista do Hotel Vila Galé, na Ericeira, é simplesmente soberba e até o sol não se fez rogado e brilhou com fulgor, dispersando, a pouco e pouco, algumas das nuvens negras que ainda pairavam, no firmamento. Foi aí, junto à piscina, por entre sorrisos, gestos largos, olhares brilhantes e expressões inquiridoras, que a vi pela primeira vez. Tinha sido convidada por aquele que organizara este convívio e nunca tinha visitado o meu blogue. Houve um imediato reconhecimento. Sentimos que existia entre nós um elo místico, inexplicável, tão próprio daqueles que comungam de uma personalidade e de uma visão estranhas no pensar de alguns. Soubemos que havia afinidades que nos uniam, sem trocarmos muitas palavras.</p>
<p>Não só pertencíamos ao mundo enigmático e profundo das águas governadas pelo deus mítico, Neptuno, como também éramos bafejadas com o dom da criatividade. Para além disso, viríamos a descobrir a mesma exaltada afeição pela cidade de Ulisses, onde nascêramos e que viria a ter grande relevo nos livros – embora de carácter diferente – que publicámos. O nosso segundo e terceiro encontros estiveram relacionados com o comum gosto pelas artes. Mas seria no quarto encontro, numa famosa gelataria, junto à Praça de Londres que, numa cúmplice partilha de segredos, nos descobriríamos e encetaríamos uma amizade.</p>
<p>Dois anos mais tarde, voltaríamos a estar juntas. Desta vez, teríamos a oportunidade de conviver diariamente, consolidando uma afeição que principiara num daqueles <em>incidentes de percurso</em> a que sempre dou tanto valor. Contudo, nunca imaginei que ela viria a ter uma importância vital na concretização do meu sonho de voltar a viver no solo pátrio. É fascinante aperceber-me hoje como o Universo iniciou uma trajectória que me colocaria no momento presente, a fazer os preparativos para a minha viagem de regresso, daqui a três semanas.</p>
<p>Mais uma vez, o que me está a acontecer, vem reforçar a ideia de que nada acontece por acaso e nunca devemos desprezar mesmo aqueles encontros que julgamos ser insignificantes.</p>
<p>(<em>Dedicado à Isabel, com um especial agradecimento e muito carinho.</em>)</p>
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		<title>Mariza em Brisbane</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/mariza-em-brisbane.html</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 07:12:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>Ondas sagradas do Tejo
Deixa-me beijar as tuas águas
Deixa-me dar-te um beijo
Um beijo de mágoa
Um beijo de saudade</p>
<p>Foi uma noite para nunca esquecer. Faltam-me as palavras para exprimir o que senti ontem. Durante duas horas, fiquei cativa e emocionada, com os acordes da guitarra portuguesa e o fascínio da voz de Mariza a embalarem-me e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://images.brisbanetimes.com.au/2009/07/15/633940/BF09%20Mariza%20-%20Credit%20Isabel%20Pinto%20-%20Compressed.jpg" alt="" width="399" height="169" /></p>
<p><em>Ondas sagradas do Tejo<br />
Deixa-me beijar as tuas águas<br />
Deixa-me dar-te um beijo<br />
Um beijo de mágoa<br />
Um beijo de saudade</em></p>
<p>Foi uma noite para nunca esquecer. Faltam-me as palavras para exprimir o que senti ontem. Durante duas horas, fiquei cativa e emocionada, com os acordes da guitarra portuguesa e o fascínio da voz de Mariza a embalarem-me e a falarem-me da alma da minha gente. Perdi a noção do tempo e do espaço e fui transportada, em delírio, para a minha terra. Essa terra que Mariza veio trazer-me para me aconchegar e reavivar a minha esperança.</p>
<p><em>Trago um Fado no meu canto,<br />
Canto a noite até ser dia<br />
Do meu povo trago o pranto<br />
No meu canto a Mouraria<br />
Tenho saudades de mim<br />
Do meu amor mais amado<br />
Eu canto um país sem fim<br />
</em></p>
<p>Ao ouvi-la, num misto de nostalgia e enleio, senti saudades de mim, mas voltei, por breves instantes, a ser aquela que deixei no seio do meu país sem fim. O que experimentei na sala do Concert Hall, em Brisbane, foi algo singular e jamais sentido, nos 26 anos da minha vivência, neste longínquo continente. Obrigada, Mariza!</p>
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		<title>Ma vie en rose</title>
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		<pubDate>Fri, 17 Jul 2009 23:12:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p> </p>
<p>&#8220;Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade.&#8221; (Epicuro)</p>
<p>Naquela noite quente de finais da Primavera, depois de um cruzeiro, Douro abaixo, os nossos olhos e ouvidos rendiam-se à maravilhosa interpretação de Piaf, na simpática, acolhedora sala do Rivoli. De quando em quando, entreolhávamo-nos ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img class="alignleft" src="http://daen.theamk.com/art/Renoir/renoir.meadow.jpg" alt="" width="202" height="228" /></p>
<p>&#8220;<em>Das coisas que a sabedoria proporciona para tornar a vida inteiramente feliz, a maior de todas é uma amizade.</em>&#8221; (Epicuro)</p>
<p>Naquela noite quente de finais da Primavera, depois de um cruzeiro, Douro abaixo, os nossos olhos e ouvidos rendiam-se à maravilhosa interpretação de <em>Piaf</em>, na simpática, acolhedora sala do Rivoli. De quando em quando, entreolhávamo-nos ou tocávamo-nos, numa aquiescência cúmplice e muda. Estávamos mesmerizadas pela figura delicada que enchia o palco com expressivos maneirismos e a vivacidade de uma voz melodiosa.</p>
<p>Este foi um dos muitos momentos, durante os meses de Maio e Junho, em que me senti mais autêntica e recuperei esquecidas memórias de mim, enquanto ia renovando e estreitando uma amizade antiga. Só agora, na ausência, tingida pela inefável e dolorida recordação desse tempo tão próximo que parece já tão longínquo, eu me apercebi terem passado quatro décadas, desde a última vez que partilháramos o mesmo quarto, usufruindo uma intimidade descuidada e esfuziante.</p>
<p>Foi na segunda metade dos anos sessenta que a conheci. Tal como diria o <em>Principezinho</em>, ela <em>cativou-me</em>, com o seu ar sério e calmo, por vezes distante ou sombrio; a sua presença segura e forte, o seu tom directo e seco, a contrastar com a minha emotiva e sonhadora personalidade. Fomos descobrindo quem éramos, num liceu feminino, de corredores barulhentos e salas de um silêncio mortificado, onde aprendíamos os mistérios de uma jovial e destemida adolescência, sob os olhares frios das educadoras dos nossos cérebros ávidos de conhecimento. Partilhávamos risos e ansiedades; corríamos pelo recreio, enxotando dúvidas e temores; comíamos, com gula, as bolas de berlim ainda mornas, a transvazar de creme, sem nos incomodarmos com o volume das ancas que começavam a revelar uma inquietante sensualidade; contávamos segredos com um alvoroço casto, desnudado de fingimento.</p>
<p>Crescemos numa época em que não havia internet nem telemóveis. Por isso, a nossa convivência era mais íntima, mais real e também mais espontânea. O nosso afecto era enriquecido por uma variadíssima gama de experiências, produto de uma criatividade sem freio e uma curiosidade sem limite. Divertíamo-nos com um pouco de nada. Descobrimos juntas as doçuras e as agruras do amor, o exaltamento e a queda das paixões. Fomos confidentes e conselheiras, com uma naturalidade sã, sem preconceitos. Aceitámos, desde muito cedo, as nossas diferenças e fizemos delas o alicerce da nossa camaradagem. </p>
<p>As nossas conversas eram o fulcro do nosso mais apetecido entretenimento: ao telefone, em sussurro, por detrás da porta cerrada, ignorando as reprimendas dos nossos pais; sobre a cama, pela noite dentro, quando ficávamos em casa uma da outra. Ela maravilhava-se com a minha poesia e entusiasmava-se com as minhas peripécias amorosas; eu surpreendia-me com a fortaleza do seu carácter e a sensatez do seu pensamento. Passados tantos anos, isso não mudou. Nem tão pouco se alterou o gosto por uma boa cavaqueira que nos leva sempre a um tempo de outrora e, na maioria das vezes, acaba em risos estridentes, a matizar uma emoção mal contida. A única diferença é que ela espelha agora aquela que eu fui e com ela eu reganho partes perdidas de um passado comum. </p>
<p><em>Alors je sens en moi<br />
Mon cœur qui bat.</p>
<p>Une part de bonheur<br />
Dont je connais la cause.</em></p>
<p>A voz bem timbrada de Sónia Lisboa ecoa ainda na minha mente saudosa. Naquela noite, na Cidade Invicta, eu sentia o meu coração bater com mais força e conhecia a causa da minha felicidade. O sentimento forte e indestrutível da amizade coloria a minha vida de tons cor-de-rosa. </p>
<p><em>(Dedicado, com muito carinho e saudade, à minha amiga Antonieta.)</em></p>
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		<title>A Escola dos Azulejos</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Jun 2009 18:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>‘Não se recorda dos azulejos?’ – Perguntou-me a senhora ainda jovem que tinha aberto a porta, minutos antes, para entregar uma criança à mãe. Eu esperara, de coração a pular, depois de ter subido as escadas que descobrira, por acaso, na descida pela Rua do Telhal. Tinha ido num dos meus habituais passeios pela cidade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.eb1-n29-lisboa.rcts.pt/porta%20da%20escola.jpg" alt="" width="217" height="146" /></p>
<p>‘<em>Não se recorda dos azulejos?</em>’<em> – </em>Perguntou-me a senhora ainda jovem que tinha aberto a porta, minutos antes, para entregar uma criança à mãe. Eu esperara, de coração a pular, depois de ter subido as escadas que descobrira, por acaso, na descida pela Rua do Telhal. Tinha ido num dos meus habituais passeios pela cidade, captando imagens no telemóvel, num percurso que me levara, mais uma vez, aos recantos da minha infância. Em vez de descer a Calçada do Lavra, escolhi antes a Calçada do Moinho de Vento. No seguimento desta, lá estava a Rua do Telhal. Um portão aberto a dar para uma escadaria, despertou a minha atenção. Foi quando reparei numa placa, afixada na parede, e compreendi. Nem queria acreditar. Então, estas eram as escadas que tinham acesso à Escola de São José, magnificamente situada na encosta do Jardim do Torel!</p>
<p><img class="alignright" src="http://photos14.flickr.com/18062213_e750efc8fe.jpg" alt="" width="216" height="151" /></p>
<p>A senhora, de mão firme na porta entreaberta, tinha um olhar amorfo. Desejei que se tivesse comovido com a explicação que lhe dera, para justificar a minha presença ali. Mas não. Apenas me forneceu uns dados mas não franqueou a entrada naquele recinto onde passara grande parte do meu tempo de menina. E eu que havia pensado que esta escola – <em>a minha escola</em> – já não existia! Fiquei a saber que foi inaugurada em 1945 e que se tornou conhecida por o seu interior estar recheado de azulejos avulsos da Viúva Lamego. Quando os vi, na parede de fundo, a uns metros de distância da entrada, reconheci-os, sem nunca ter pensado neles, durante mais de quatro décadas.</p>
<p>Nos escassos segundos em que permaneci de olhos presos aos desenhos garridos, tentei rever-me, ao mesmo tempo que abanava com a cabeça e murmurava, de forma atabalhoada, estar a recordar-me dos azulejos. Em boa verdade, estava a recordar-me de muito mais do que isso. Mas não desejava abusar da paciência daquela senhora que não teria qualquer interesse em entender a importância daquele breve momento, num fim de tarde calmoso.</p>
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		<title>Em Azeitão com Sebastião da Gama &#8211; Parte II</title>
		<link>http://julieta-ferreira.com/blog/em-azeitao-com-sebastiao-da-gama-parte-ii.html</link>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 10:58:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diário]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p>O Museu de Sebastião da Gama passa quase despercebido, a uns escassos metros de um café onde se vendem as deliciosas tortas de Azeitão, um dos cartões de visita desta localidade. Há muito mais quem conheça o doce do que quem se lembre do poeta da Arrábida, especialmente os que não são da região. Pois [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" src="http://www.azeitao.net/novas_fotos_azeitao/museu.jpg" alt="" width="221" height="166" /></p>
<p>O Museu de Sebastião da Gama passa quase despercebido, a uns escassos metros de um café onde se vendem as deliciosas tortas de Azeitão, um dos cartões de visita desta localidade. Há muito mais quem conheça o doce do que quem se lembre do poeta da Arrábida, especialmente os que não são da região. Pois eu desconhecia as tortas de ovos e nunca esquecera o poeta. Era a primeira vez que vinha a Azeitão e ao Museu que apenas conhecia através de imagens na Internet.</p>
<p>Fui apresentada ao Dr. João Reis Ribeiro, professor, fundador e presidente da Associação Sebastião da Gama, ao qual eu devia o privilégio de me encontrar ali para assistir a uma sessão cultural sobre a vida e obra do escritor que influenciara tanto a minha carreira docente e a minha alma de poetisa.<br />
O ponto mais alto desta tarde solarenga e quente foi, sem dúvida, o encontro com D. Joana Luísa, uma senhora que logo me tocou pela sua simplicidade, despida de afectação. Ouvi-a falar, num tom límpido, onde o amor e a saudade estavam presentes. Percorri o pequeno espaço da sala dedicada a lembrar o poeta, através de um espólio riquíssimo, cedido pela viúva – fotografias, objectos pessoais, manuscritos e primeiras edições de algumas das suas obras – seguindo, com deslumbramento, as explicações, fornecidas com afecto e nostalgia por D. Joana Luísa. Também lá estava Nicolau da Claudina que se referiu ao seu tempo como aluno do homem que possuía um segredo para lidar com as turmas e para encantar os rapazes. Esse segredo era, muito simplesmente, amar! Gostei de conversar com o Nicolau e de escutar os seus relatos, carregados de emoção. Senti-me, então, mais perto do poeta.<br />
<img class="alignright" src="http://julieta-ferreira.com/fotos/albums/sebastiao_gama/%287%29.jpg" alt="" width="213" height="143" /><br />
No primeiro piso, onde existe uma biblioteca e pequeno auditório, sentei-me ao lado de D. Joana Luísa para uma hora e tal de percurso pela vida e obra de Sebastião da Gama. O Dr. João Reis manteve as atenções presas, mentes e corações embalados, num comum interesse, constantemente renovado, sobre a figura literária e humanitária  das terras sadinas. Para finalizar, tive o grato ensejo de ler uma passagem do meu primeiro livro, em que faço referência ao poeta e pedagogo em cuja terra natal me encontrava. E fi-lo com a voz embargada de enternecimento.<br />
Esta será mais uma das extraordinárias memórias que levo comigo para me aquecerem a alma e me confortarem o espírito, durante os meus dias de solidão.</p>
]]></content:encoded>
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