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	<title>Julieta Ferreira &#187; Os leitores dizem&#8230;</title>
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	<description>Romancista, Poetisa e Cronista</description>
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		<title>Fernando Ferreira no Blogue do SOL (III)</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jan 2008 01:21:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Afinal até que idade se pode amar? Ou será que se tem uma data limite para se ser feliz?”É partindo destas interrogações que Julieta Ferreira escreveu um raro romance centrado numa temática até aqui pouco tratada na literatura, a do amor (ou amores e paixões) depois dos cinquenta. Aquela madura idade em que depois de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Afinal até que idade se pode amar? Ou será que se tem uma data limite para se ser feliz?”É partindo destas interrogações que Julieta Ferreira escreveu um raro romance centrado numa temática até aqui pouco tratada na literatura, a do amor (ou amores e paixões) depois dos cinquenta. Aquela madura idade em que depois de se ter passado por uma ou várias experiências amorosas na juventude e/ou na idade adulta, se julga ter atingido a serenidade e estabilidade emocional. Que resulta da idade, da vida aprendida, das experiências acumuladas, da memória selectiva. Eu também pensava assim, pois tive um casamento de mais de vinte anos…<span id="more-105"></span>Este é decididamente um romance “feminino”, pois elaborado numa “escrita feminina” e centrado na vida afectiva de uma mulher, Marta, “uma mulher depois dos 50 anos, com uma personalidade que a afasta do protótipo de mulher normal, e que continua a questionar-se sobre o amor, o sexo e sobre si própria”, na perspectiva da própria autora.</p>
<p>Mas não é SÓ um romance para as mulheres, os homens que o lerem terão inumeras lições a retirar, numerosas sugestões para reflexão, talvez a sua maior virtude e qualidade. Marta descobre-se através das interrogações de João&#8230;</p>
<p>É também, no dizer da sua autora, “um romance sobre o amor e sobre as múltiplas questões que se põem sobre ele e sobre o sexo e a paixão”.</p>
<p>“Sem ponto final” é um romance de ficção escrito em três partes distintas.</p>
<p>Na primeira, a autora desenvolve o perfil psicológico de Marta, uma mulher moderna e desprovida de preconceitos (?) em busca permanente de um amor sincero. Dá-nos igualmente um interessante retrato de algumas das suas amigas Sofia, Filipa, Teresa e Ana, todas elas diferentes no seu modo de estar e ser, no assumir das suas diferentes idiossincrasias, desejos e ambições. Descreve-nos algumas das suas falhadas buscas do amor com Pedro e Eduardo, dois homens de negócios.</p>
<p>A segunda parte é sobre o encontro da amizade e do amor em João, um professor universitário. Há pelo meio, reflexões de natureza filosófica sobre a existência humana.</p>
<p>A terceira descreve a longa conversa de Marta com João, e o seu epílogo … que fica aqui em aberto para manter o interesse do leitor pela leitura do livro.</p>
<p>***</p>
<p>Porque não saberia, nem devo, expor aqui a trama que se vai tecendo ao longo das três partes do livro, deixo aqui algumas passagens do mesmo e que revelam alguns aspectos da personalidade de Marta e do olhar da escritora sobre a vida, depois dos cinquenta. São tópicos e imagens que me tocaram e sensibilizaram, me fizeram reflectir sobre como pensam as mulheres (pelo menos, algumas delas) na idade madura. Afinal, não é tão diferente do imaginário dos homens, de alguns homens. Somos, em certo sentido, todos humanos (homens e mulheres) que buscam o amor, e neste a tão esperada serenidade ou felicidade conjugal.</p>
<p>Homens e mulheres são, assim, partes de um todo que se completam mutuamente, na sua passagem e aventura na Terra, quais deuses e deusas do Universo.</p>
<p>“Marta não era como as outras mulheres. (…) Ela era especial.”</p>
<p>“- O medo é o vosso maior inimigo” (Marta)</p>
<p>“- Se têm medo, nunca estarão receptivas para a Vida. Se têm medo, nunca se deixarão levar pelo sonho e não arriscarão nada” (Marta)</p>
<p>“- Medo tenho eu da morte porque me roubará as experiências da vida. Mas não tenho medo de viver, isso não!” (Marta)</p>
<p>“Queria assim ocultar, de si própria (Marta) e dos outros, a incapacidade de amar para sempre; (&#8230;) a sua incapacidade de pôr ponto final a uma busca que nem ela mesma sabia o que era; a sua incapacidade de se deixar ficar no conforto e segurança de um amor calmo, sem arrebatamentos, presivisel e duradouro.”</p>
<p>“Como escolhia uma mulher um homem para ir para a cama?</p>
<p>Excluindo os casos de uma atracção física incontrolável, uma paixão arrebatada ou amor, ou era para esquecer outro homem, ou para se esquecer a si própria e ao mundo, ou ainda para se sentir bem consigo mesma e fazer inchar o o seu ego. Também, em muitos poucos casos, pela satisfação sexual: pura e simples, nem mais nem menos. O gosto pelo sexo e pelo prazer. Nada mais. Aí a mulher aproxima-se do homem: uma fêmea, o seu igual.”</p>
<p>“Porque será que assusta tanto os homens quando é a mulher a controlar a situação e a dominar? Assusta-os a inteligência, a emancipação, a segurança da mulher. Assusta-os tanto quanto os atrai. E torna-os inseguros.”</p>
<p>“A felicidade, para ela (Marta), era antes um estado de espírito e, ao mesmo tempo, uma atitude. Poderia ser contínua ou momentânea, variando em graus e intensidades.”</p>
<p>“Embora acreditasse em energias, numa Força motivadora de tudo o que acontecia (…) pensava que tinha sido o Homem que criara Deus, ao contrário do que as religiões proclamavam.”</p>
<p>“Estava longe de pensar que algum dia os homens viessem a entender as mulheres e vice-versa. A dificuldade e impossibilidade residiam no facto de que nem uns nem outros desejavam realmente conhecer-se e entender-se. Era mesmo nisso que residia grande parte do fascínio entre eles.”</p>
<p>“João não lhe pedia nada (…) Não lhe pedia nada, era uma forma de dizer: pedia-lhe para ela se mostrar tal qual era, sem artifícios nem jogos.”</p>
<p>“O que temia ver quando se despisse das Martas que ia criando?”</p>
<p>“Sabia muito bem que os homens, na sua maioria, não desejam viver sozinhos: apavora-os a solidão, especialmente depois de terem vivido muitos anos com uma mulher, ainda que tenham deixado de a amar, que o desejo e a paixão tenham morrido (…)”</p>
<p>“O amor tinha triunfado de uma forma…”</p>
<p>Depois de concluída a leitura deste romance ficou-me a sensação de que talvez a história não tenha acabado, afinal a vida real não tem, regra geral, aqueles finais cinematográficos dos “happy end” típicos de muitos filmes.</p>
<p>Mentiria se não escrevesse aqui que gostei muito mais de ler este seu segundo livro, uma obra ficcional de muito boa qualidade literária. E sei que um terceiro talvez já esteja a ser escrito, o tema parece aliciante&#8230;</p></blockquote>
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		<title>Fernando Ferreira no Blogue do SOL (II)</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jan 2008 00:01:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Quando há uns meses a escritora (e bloguer do SOL) Julieta Ferreira (ver aqui, e aqui) me perguntou o que achava do título do seu livro, eu não disse nada. Que poderia dizer? Não tinha lido o livro!
E agora que o acabei de ler, fiquei naturalmente insatisfeito.
Se calhar, Marta, a protagonista dessa história, também não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quando há uns meses a escritora (e bloguer do SOL) Julieta Ferreira (ver aqui, e aqui) me perguntou o que achava do título do seu livro, eu não disse nada. Que poderia dizer? Não tinha lido o livro!<br />
E agora que o acabei de ler, fiquei naturalmente insatisfeito.<br />
Se calhar, Marta, a protagonista dessa história, também não terá terminado ainda a sua busca… Mas não vou adiantar detalhes do desfecho desta história de amor (sim, é uma história de amor!), melhor, de amores!<br />
O livro foi lançado na Livraria Barata, em Lisboa, no passado dia 12 de Setembro, mas eu só fui à sessão de apresentação do livro, na Livraria Bulhosa, também em Lisboa, no passado dia 28 de Setembro, feita pelo escritor Tiago Rebelo.<span id="more-104"></span><br />
Já a propósito do primeiro livro de Julieta (“Regresso a Lisboa”, aqui), lhe tinha dito que não sou (nem desejo ser) crítico literário (ver aqui). Gosto muito de ler bons autores e praticamente todos os temas me interessam, desde o romance histórico ao policial, passando pelos clássicos romances de ficção. Mas as minhas competências literárias são muito limitadas. Apenas sou capaz de dizer se gosto ou não de um livro, de uma história.<br />
É isso que pretendo fazer aqui.<br />
Escrever estes posts são, assim, uma pequena homenagem a uma mulher forte, que sabe o que quer e que, apesar dos desencontros da vida e do amor, neles encontrou motivos para reflectir, escrever e amar… a sua terra e as suas gentes! E publicar dois belos livros, um sobre a sua, sempre presente, Lisboa e outro sobre o amor aos 50, aquele amor que se supõe sereno e seguro, certo e definitivo!<br />
Conheci a Julieta (Ju, para os amigos) há uns meses na Ericeira, quando organizei um encontro de bloguers para, precisamente, a conhecer e dar a conhecer aquele primeiro livro aos seus leitores do blogue que aqui mantêm, em banho-maria, na comunidade SOL. Mas falei a primeira vez com ela alguns meses antes, ainda ela estava na Austrália, onde vive e trabalha.<br />
Ela veio cá passar uma temporada para tratar do lançamento do seu segundo livro “Sem Ponto Final”. E dos diversos contactos que com ela venho mantendo, ficou-me a imagem de uma mulher inteligente, sensível, amável, culta e amante da sua saudosa Lisboa, a terra que a viu nascer, num daqueles bairros populares que ainda conservam boa parte do seu tipicísmo.<br />
Claro que fiquei logo fã dela e da sua escrita, depois que comecei a frequentar o seu blogue aqui no SOL e li, mais tarde, o seu primeiro livro, um romance autobiográfico. Um livro escrito com e por amor à cidade, num registo com muita garra e coragem pessoal, pelo desnudo psíquico a que se sujeitou. E depois, a sua singular e belíssima poesia com que nos foi presenteando aqui… Ela é uma emigrante que domina a língua materna na perfeição, com sublime frescura!<br />
Da sua breve biografia retirada do seu blogue pessoal ressalta que “Desde criança sentiu uma grande paixão pela leitura e pela escrita. Esta escritora licenciou-se em Filologia Românica na Universidade de Lisboa e deu aulas de Português e Francês no Ensino Secundário, durante 6 anos. Em 1983, emigrou para a Austrália, onde começou por trabalhar como tradutora e intérprete.“<br />
Da sua paixão pela educação e o ensino, que ainda mantêm, de referir que em 1987 foi convidada para leccionar Língua e Cultura Portuguesa na Universidade de Queensland, Brisbane, onde se manteve até 1999. Releva igualmente a excelente colaboração que prestou na fase inicial do projecto bloguista Post-it@EDUC, aqui no SOL, um projecto de e para professores, aberto à colaboração de todos os visitantes.</p></blockquote>
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		<title>Fernando Ferreira no Blogue do SOL (I)</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 23:56:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Quando decidi juntar-me a esta comunidade de bloguers longe andava eu de imaginar que iria encontrar pessoas que, apesar de se dedicarem a deixar aqui pedaços da sua vida, a escrever histórias e ideias em forma poética ou em escrita coloquial, a divulgar obras de arte, a fazer crítica política, a fazer humor “non sense”, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Quando decidi juntar-me a esta comunidade de bloguers longe andava eu de imaginar que iria encontrar pessoas que, apesar de se dedicarem a deixar aqui pedaços da sua vida, a escrever histórias e ideias em forma poética ou em escrita coloquial, a divulgar obras de arte, a fazer crítica política, a fazer humor “non sense”, a escrever crónicas de viagens reais e imaginárias, também escreviam livros. Foi, pois, com um redobrado prazer que fui descobrindo aqui excelentes escritores da língua pátria, pessoas simples que como eu, sentem esta imperiosa necessidade de escrever, uns para serem lidos, outros para dialogar com os seus leitores, como o mundo está a mudar…<br />
Eu tinha começado a minha aventura bloguística em Fevereiro passado, quando recebi um comentário elogioso e simpático de uma tal Julieta Ferreira, que tinha aqui um blogue com o mesmo nome (que falta de imaginação, Julieta!). Como muitos do que me visitam aqui no meu cantinho sabem, eu sou professor e apesar de, no momento, não estar a leccionar, sempre gostei muito do trabalho de ensinar…<span id="more-103"></span><br />
Como também sou formado em Arquitectura e fui arquitecto durante algum tempo, volto sempre a essa paixão, deixada por motivos de saúde, mas adoro e devoro tudo o que seja um bom livro e boa literatura, em bom português. E depois daquele comentário tão curioso, quanto interessante, decido visitar o cantinho da Julieta. Aparentemente, nada de especial, um blogue onde se escrevia boa poesia e boa prosa, mas onde rapidamente percebo que tem muita gente interessada nos seus textos, acabo por conhecer alguns professores que lá deixam os seus comentários, troco algumas mensagens privadas com alguns deles, andava a pensar que era um desperdício tanta qualidade dispersa por tantos blogues que poucos ou nenhuns lêem, proponho a alguns deles um blogue colectivo para escrevermos sobre os nossos temas, há tanta coisa que nos aflige hoje em dia… Um deles, mais propriamente uma «ela», a Olinda Gil, chama-me a atenção para a necessidade de convidarmos a Julieta, afinal ela também fora professora há muitos anos, é emigrante na Austrália, havia de gostar de entrar num projecto destes. Já não me lembro se fui eu ou a Olinda que a convidou, recebo uma entusiástica resposta a dizer que sim, que gosta muito de escrever sobre temas da educação, fora professora de Português cá e também fora professora na Austrália, andara a promover a língua pátria naquelas terras tão longínquas… Eu, claro, aceito-a na nossa pequena comunidade de professores, até dava um certo charme termos aqui a participação de alguém que, estando tão longe da pátria, mostrava este tão grande apego à sua terra e às suas gentes. Passados uns dias, alguém me diz que a Julieta tinha editado um livro e que tinha vindo a Portugal no ano passado para o lançar, já estava também disponível na net para download, ela deixava, às vezes, trechos do livro no seu blogue, fui ver, gostei do que li, decidi comprar o meu primeiro livro na net, a coisa não resultou bem à primeira, depois lá veio o livro, mas veio sem capa (ficou a dever-me essa, Julieta!).<br />
Mas está bem, pensei eu, para que preciso eu da capa do livro, não vou imprimir o livro, vou só lê-lo no computador e se não gostar é só apagar o ficheiro, livros não me faltam cá em casa, até será uma boa forma de descartar livros…<br />
E comecei a ler as primeiras páginas, lá vinha uma breve nota introdutória assinada pela Rita Ferro, muito simpática e interessante por sinal e que terminava assim: “<em>Um romance de amor, privação e saudade, escrito com a sensibilidade de uma mulher madura e emancipada, que triunfou sobre toda a desventura, animada por uma única esperança: voltar.</em>” Gostei da ideia, claro, de se escrever um livro cujo móbil principal era o de voltar, voltar à terra que a viu nascer. E depois fixei os meus olhos nos Agradecimentos, aquela inicial página onde os autores agradecem a quem teve a paciência para os aturar meses a fio e lá estava no fim, um pequeno parágrafo que me fez desejar ler o livro todo e que rezava assim: “<em>Ao povo português e à cidade de Lisboa por me darem tantos motivos para continuar a acreditar e a sonhar.</em>”.<br />
Foi a decisão final para começar a ler um livro que agora acabei de ler e sobre o qual vou deixar aqui, nos próximos posts algumas das minhas impressões, fiquei verdadeiramente emocionado e enternecido com a forma da escrita, e sobretudo com o conteúdo da sua escrita, deste maravilhoso livro escrito na primeira pessoa<br />
Aviso já, não sou crítico literário nem vou “criticar” o livro da Julieta Ferreira sobre qualquer outro ponto de vista que não seja o das emoções que este me despertou<br />
Vamos lá por partes, o romance autobiográfico da Julieta é efectivamente aquilo que esta refere no seu site pessoal (www.julieta-ferreira.com). <em><strong>&#8220;Regresso a Lisboa</strong> é uma narração muito sincera e muito sentida. Deu-me muito prazer escrever este romance: serviu de catarse e também teve &#8211; se assim poderei dizer &#8211; uma função terapêutica</em>.” Só por isso já teria valido a pena escrever esse livro e dá-lo a conhecer aos seus leitores.<br />
Mas não se ficou por aqui e continuo a citá-la: “<em>À medida que ia escrevendo, ia sendo confrontada com verdades acerca de mim própria e com sentimentos muito intensos e emoções que foram postos a nu pela escrita. Deu-me um prazer muito particular escrever sobre Lisboa e, só mais tarde, vi que afinal o meu livro poderia transmitir ao leitor uma mensagem de optimismo e de esperança num momento em que há tanta desmotivação e falta de auto-estima nas pessoas e no país</em>.” Ao reler o último período da frase, dei-me conta de quanto a Julieta tem razão, só mesmo este afastamento/distanciamento geográfico (que não afectivo) e temporal lhe terá permitido essa leitura do país tão distante.Afinal, as razões da sua saída do país, em 1983 – uma decisão tomada sob o fogo de uma paixão desencantada, alguns dias após a sua chegada – e a sua chegada à Austrália, um país de emigrantes, não tinha que ver com questões de ordem económica ou de desencanto da sua amada cidade. Ela continuou a amar Portugal, aqui voltou já diversas vezes e tem o desejo confesso de voltar definitivamente, talvez ficar aqui a escrever muitos outros livros. Afinal, Saramago começou a escrever por esta idade, a chamada “idade madura&#8221;.<br />
Tem uma filha que adora e que vive agora no país dos cangurus (o seu “<em>único amor que permanece inalterável</em>”), aqui deixou, e encontra regularmente, muitos amigos, existe nela um traço bem característico da alma lusa, a saudade da partida, uma forma de mitigar a longa ausência da sua pátria amada. E trinta e cinco anos depois, o regresso a Lisboa e o amor novamente, na pessoa de um antigo namorado dos primeiros tempos de juventude.<br />
Raramente fala da pátria de adopção (forçada), a Austrália, a não ser para dizer que afinal esta não é muito melhor que a sua terra de nascimento e onde cresceu como mulher, nalguns aspectos até bem pior, um país jovem, basicamente urbano, sem património e sem uma cultura enraizada e ancestral a servir de “cimento” ao multiculturalismo que a habita, um dos seus maiores bens, além do extraordinário património geográfico, paisagístico e natural.<br />
Ela fala dessa ausência com uma fé inabalável no seu país e no seu regresso, cito novamente: “<em>Espero que o leitor fique a sentir mais amor e fé no nosso país e que a minha narração possa trazer um pouco da realidade do que é lá fora &#8211; nem melhor nem pior do que em Portugal &#8211; apenas diferente. Essa diferença que a mim não encanta nem seduz: continuo a preferir o que nós somos, o que nós temos, aquilo que representamos, mesmo que seja pior daquilo que há lá fora, aos olhos de muitos</em>.” Incorrigível romântica? Sim, ela própria o afirma e escreve, o seu livro é um permanente balanço entre desejos e paixões não correspondidas e a sua firme determinação do direito ao amor… e de voltar, de regressar à cidade que a viu nascer, Lisboa. O amor está, aliás, sempre presente no seu livro, seja pelos homens que a acompanharam nesta sua aventura pessoal, seja pela sua Lisboa, à qual regressa sempre. Hoje, mais serena e madura, assinala que “<em>há tantas formas de amor&#8230; Um amor místico e devoto, um amor patriótico e saudosista, um amor abnegado e altruísta, um amor egoísta e possessivo, um amor ciumento e obsessivo, um amor platónico e puro, um amor sexual e apaixonado. E há ainda o amor que é ternura, carinho, amizade e companheirismo. É aquele que hoje sinto</em>.”<br />
Regresso a Lisboa é, assim, um livro com uma temática muito pessoal (quase um diário) onde se fala de amores, paixões, encontros e desencontros, numa escrita muito feminina &#8211; mas não <u>feminista</u> -, e <u>intimista</u> &#8211; mas não envergonhada.</p></blockquote>
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		<title>Arlindo Pinto em Planeta dos Catos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 23:47:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Apesar do subtítulo “confissões proibidas”, o facto é que não encontrei nada que se assemelhasse a tanto, Julgo, contudo, que, de facto, algumas das confissões serão proibidas aos olhos dos mais conservadores.
Uma história real de saudade, amor e redenção, numa escrita simples e escorreita.</p>
<p>“Regresso a Lisboa” é um relato, na primeira pessoa, das experiências de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Apesar do subtítulo “confissões proibidas”, o facto é que não encontrei nada que se assemelhasse a tanto, Julgo, contudo, que, de facto, algumas das confissões serão proibidas aos olhos dos mais conservadores.<br />
Uma história real de saudade, amor e redenção, numa escrita simples e escorreita.</p>
<p>“Regresso a Lisboa” é um relato, na primeira pessoa, das experiências de vida de uma mulher desinibida, que o amor (seja lá o que isso for) levou a fixar-se na estranja e em que uma visita há muito almejada a Lisboa, apazigua a saudade de uma terra ela própria esquecida pelas portugueses, possuídos de um provincianismo secular que vêm em tudo o que é oriundo de outros países o máximo da criação humana, menosprezando tudo o que é nacional, passando a si próprios um atestado de menoridade que se orgulham de ostentar.<span id="more-102"></span><br />
A visita é motivo para reencontros com amores e amizades de outrora, um deles aproveitado para apagar o fogo que ainda bruxuleava num dos capítulos de uma vida passada e cujas cinzas trazem finalmente paz interior à autora.<br />
A narrativa resulta da necessidade duma catarse que traga à autora essa paz interior e que a ajude a exorcizar alguns fantasmas do passado, libertando-se dessa forma para novas aventuras, num presente que é vivido de forma intensa, sem falsos pudores.</p></blockquote>
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		<title>Arlindo Pinto em Planeta dos Catos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 23:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>O segundo livro e o primeiro romance de Julieta Ferreira, é de leitura obrigatória para quem aposte nos novos autores nacionais, de qualidade. A Julieta é capaz de uma escrita de nível superior, mas sem dificuldades na leitura. Brilhantemente simples, diria. Simples e bela. Uma escrita feminina, erótica por vezes, que tem como destinatários homens [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>O segundo livro e o primeiro romance de Julieta Ferreira, é de leitura obrigatória para quem aposte nos novos autores nacionais, de qualidade. A Julieta é capaz de uma escrita de nível superior, mas sem dificuldades na leitura. Brilhantemente simples, diria. Simples e bela. Uma escrita feminina, erótica por vezes, que tem como destinatários homens e mulheres dispostos a conhecerem melhor o sexo oposto. Se não lerem ficam a perder…<br />
Além do mais, este livro tem como autor da capa (concepção e fotografia) este vosso amigo, o que só por si acrescenta à obra um valor que, modestamente, classificaria de incalculável!!!<span id="more-101"></span><br />
Para aguçar o apetite, aqui fica a bem escrita sinopse que acompanha o livro:    Marta é uma mulher diferente. Distinta do comum dos mortais, pela forma como conduz a sua vida e, contudo, igual a tantos, ao procurar resposta para a eterna questão: o que é o amor?<br />
Constantemente debatendo-se com a sua identidade, abafa no sexo descomplexado a angústia da sua existência. Soma conquistas como se de uma predadora se tratasse. É honesta nas suas convicções e nos seus sentimentos. Reflecte sobre problemas sociais, desprezando a hipocrisia daqueles que transformam em tabu alguns dos assuntos que se prendem com o lado animal do Homem.<br />
De entre as suas amigas, algumas preocupadas com a sua maneira de ser e estar, Marta é a que consegue transformar em falácia o desabafo de muitas mulheres que, tal como ela, procuram o amor, mas nada fazem para o encontrar, esperando que um dia lhes bata à porta e que persistem em afirmar que “os homens são todos iguais”.<br />
Marta passa pela vida, questionando-se e questionando os homens com quem se relaciona: Pedro, Eduardo, João… Que procura ela em cada um deles? Com qual destes homens pode ela encontrar-se?<br />
João é o único a não reclamar sexo, mas apenas amizade, conhecimento mútuo; algo mais do que uma experiência sexual inócua, apenas por puro instinto. Talvez esteja aqui o amor, que Marta procura e assim conheça a sua cruzada um ponto final. Ou não!</p></blockquote>
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		<title>Carla Carvalho em &#8220;thoughts4you&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Jan 2008 23:37:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Julieta Ferreira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Os leitores dizem...]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Olá a todos,terminei de ler um livro, que não posso deixar de o comentar aqui. Não o faço somente por ter sido escrito por alguém que cruzou a minha vida e não a deixou igual, mas também por ser uma obra que, na minha opinião, deveria ser lida por muita gente (talvez conseguisse abrir mentes).O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>Olá a todos,terminei de ler um livro, que não posso deixar de o comentar aqui. Não o faço somente por ter sido escrito por alguém que cruzou a minha vida e não a deixou igual, mas também por ser uma obra que, na minha opinião, deveria ser lida por muita gente (talvez conseguisse abrir mentes).O livro chama-se “Sem ponto final” e a autora é Julieta Ferreira. Não me vou perder a contar a história, até porque nada se compara à leitura da mesma. Mas a verdade é que, quando algo nos diz tanto, temos uma tendência nata para o comentar.</p>
<p>Ao ler o livro, não consegui deixar de fazer algumas comparações entre as personagens e as pessoas que me rodeiam, mulheres e homens. Por isso, talvez considere que não seja um livro “fácil” de ler para toda a gente. Nem sempre conseguimos assumir que o que estamos a ler é um espelho do que somos e, por vezes, tomar conciência dessa realidade pode ser bastante difícil de encarar.</p>
<p>E é nisso que este livro é diferente. <span id="more-100"></span>É um romance, sim, mas muito para além de uma história inventada na cabeça da autora, tem grandes verdades expostas naquelas linhas. Verdades que custam a todos assumir, verdades sobre as relações entre homens-mulheres, dos dias de hoje e um pouco desde sempre (mas mais encoberto). A emancipação da mulher, nem sempre vista com bons olhos por alguns homens e muitas vezes, menos ainda por outras mulheres; a liberdade de escolha; a não aceitação passiva das coisas apenas por medo ou por ficar bem na sociedade; o encarar de frente situações completamente desconhecidas, que podem atirar-nos para um mundo do qual nunca pensámos fazer parte; tudo isso e muito mais é motivo de crítica, por quem reorre à aceitação e passividade perante a vida.<!--more--></p>
<p>No entanto, o livro pretende mostrar exactamente o contrário. É um ponto de vista, diferente do que é comum falar-se, mas partilhado por muitas pessoas, onde a crítica não é o objectivo, nem a escrita é feita dessa forma.</p>
<p>Entre aventuras e desventuras, a personagem principal vai conhecendo-se cada dia um pouco mais, apesar dos seus já 50 anos de algumas experiências, mas a verdade é que nunca deixamos de nos surpreender e de aprender algo sobre nós, por mais idade que tenhamos. As sincronicidades que ocorrem na sua vida, as pessoas que a cruzam, as amizades de longa data, umas conservadas outras rompidas, vão guiando a personagem numa busca de si mesma, tentando alcançar algo que todos procuramos, mas nem sempre sabemos identificar quando temos: a felicidade.</p>
<p>Por vezes, consideramos ser felizes até que um dia algo abana as nossas crenças e, fazendo cair o pano que nos venda os olhos, mostra-nos uma realidade com a qual não sabemos muito bem como lidar, pelo seu carácter desconhecido. Algumas pessoas, ignoram, voltam a colocar outro pano e esquecem o momento de lucidez que presenciaram. Nunca mais me esqueço da peça, que vi em Salamanca, intitulada “Assim é se assim lhe parece”. Por outro lado, nesse momento de percepção, dolorosa ou libertadora, há quem agarre essa nova realidade e mude a sua vida, parecendo incoerente aos outros, por nunca assim ter agido, mas sentindo como que um renascer interior, que se espelha no esterior.</p>
<p>É sempre bom estarmos atentos e não ter medo das mudanças de ideias, opiniões, sensações que vamos tendo ao longo da nossa vida. São elas que a tornam especial e boa de ser vivida.</p>
<p>Aconselho o livro como forma de reflexão, como uma boa história com grande probabilidade de ser verdadeira e como uma aprendizagem do que, por vezes, queremos ignorar, mas está à nossa volta e também em nós. É um desassossegar, talvez necessário, das nossas ideias e vida.</p>
<p>Um agradecimento grande à escritora Julieta Ferreira por ter cruzado a minha vida e por presentear a literatura portuguesa com os seus trabalhos, nomeadamente este. Espero que possam ter o privilégio de ler.</p>
<p>Boas leituras a todos.</p></blockquote>
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