Embalar no seu ventre
O fruto do desamor
Dar vida estoicamente
Afagar o sonho perdido
No filho de si nascido
Acreditar para sempre
Ainda que falhe ternura
Sorrir em face da dor
Morrer só e lentamente
Privada do seu amor
Entoar canto de amargura.
Ser mãe esposa amante
Amiga e fiel confidente
Além disso a companheira
Num consagrar-se constante
Deixando a fêmea dormente
Não a julguem feiticeira.
Vulgar ou de mais sofisticada
Analfabeta [...]
A amenidade de uma tarde de Março
Pinceladas de uma primavera prematura e desejada
A luz a espalhar-se pelos morros da cidade
O sol a deixar pegadas pelo empedrado gasto das ruelas
O meu encontro com um passado de saudade
A doçura e firmeza da tua mão entrançada na minha
A aragem a folgar com os meus cabelos
O meu sorriso leve [...]
O amanhã chegou…
Outrora difuso e sonhado
Num tempo onde a luz fugia
No sufoco do pântano do meu viver.
Era um amanhã opaco
No enredo brumoso do meu frouxo querer.
Desejado e temido.
Buscado e perdido.
É agora um amanhã a espreitar
No presente do meu contentamento.
Tela de pinceladas soltas.
Verso branco por rimar.
Começo luzente nos sorrisos que te dou.
Esboço de um conto por [...]
O teu olhar…
É bússola do meu destino
Ramo verde sem podar
Sol sem haver poente
Abismo da minha loucura
Caudal da tua bonança
Desejo da nossa ventura
Instante suspenso no tempo
Grito de boa esperança
Nascente do meu sustento
Carícia que tardou em chegar.
Gaivota dançarina
Madrigal de verso solto
Rio em mim a desaguar
Alvo livro da minha sina
Cantata em sol maior
Harpejo em noite de luar.
Ah amor! [...]
O frio gelava sórdidos membros chagados
No asfalto citadino
Numa manhã invernosa de domingo.
Sentou-se entre genuflexões
E murmúrio de preces cantadas
A igreja a vibrar em uníssono hino.
Quedou-se tranquila, apaziguada.
No rosto sereno, um trejeito de menina
Ou de filha à casa retornada.
Trazia a alma ridente e o coração lavado da dor.
No tumultuoso silêncio
Das palavras sentidas e das volvidas emoções
Com o [...]
No entardecer
De uma vida toldada
Tu chegaste …
De ímpeto e de mansinho
Minha alma sentiu-se tocada
Em teu rosto li um caminho.
Foi assim …
Num colorido momento
Começo do meu despertar
Tuas mãos esguias
A profundeza do teu olhar
Diziam-me o que sentias.
Arrebatamento
Ou até mesmo magia!
Em cálida doçura
Na cópula das nossas bocas
Deixou-se dormir a fantasia
Brotaram vontades loucas.
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