
Somos árvores de ramos que não se tocam
De uma amarelecida caduca folhagem
A lembrar outonos de trágicas desilusões.
Somos o vendaval que destemido vozeia
Nas escarpadas falésias onde dolente se desfaz
O frenesim das nossas proibidas paixões.
Somos fontes decadentes na severa estiagem
Vítimas de um perfídio destino mordaz
Sôfregas da passada opulência primaveril.
Somos casas de espessas cortinas corridas
Onde nos buscamos atrás da ombreira cerrada
E carpimos sem trégua malfadados amores.
Somos searas nuas na aspereza calmosa do estio
De sulcos latejantes na desencantada miragem
Onde repousam já nossas latentes feridas.
Somos mundos habitados por espaços de vazio
Suspensos entre o céu de enlevados deleites
E o soterrado inferno de sentidos dissabores
Onde o silêncio tem voz trôpega de cansada.


Verdade JÚ, somos tudo isso. Mas mesmo assim, ou porque tal acontece, gostamos de viver. E desafiamos o futuro que não é, em gestos de presente que deixou de ser. Talvez o presente não exista. Porque logo que é deixa de ser. Nada do que somos seria fora do tempo
Cara amiga Julieta,
Acho que tem toda a razão nos eu poema quando afirma:”Somos mundos habitados por espaços de vazio”
Um abraço da cor do mar, daqui do promontório até ao outro lado do mundo e votos de um fim de semana de muita paz,
MarAzul2007
Querida Ju:
Somos tanta coisa. que um só poema é insuficiente para nos catalogar. Na verdade, somos demasiados complexos para a simplicidade da nossa existência.
Estás em grande forma literária.
Beijos