
O Museu de Sebastião da Gama passa quase despercebido, a uns escassos metros de um café onde se vendem as deliciosas tortas de Azeitão, um dos cartões de visita desta localidade. Há muito mais quem conheça o doce do que quem se lembre do poeta da Arrábida, especialmente os que não são da região. Pois eu desconhecia as tortas de ovos e nunca esquecera o poeta. Era a primeira vez que vinha a Azeitão e ao Museu que apenas conhecia através de imagens na Internet.
Fui apresentada ao Dr. João Reis Ribeiro, professor, fundador e presidente da Associação Sebastião da Gama, ao qual eu devia o privilégio de me encontrar ali para assistir a uma sessão cultural sobre a vida e obra do escritor que influenciara tanto a minha carreira docente e a minha alma de poetisa.
O ponto mais alto desta tarde solarenga e quente foi, sem dúvida, o encontro com D. Joana Luísa, uma senhora que logo me tocou pela sua simplicidade, despida de afectação. Ouvi-a falar, num tom límpido, onde o amor e a saudade estavam presentes. Percorri o pequeno espaço da sala dedicada a lembrar o poeta, através de um espólio riquíssimo, cedido pela viúva – fotografias, objectos pessoais, manuscritos e primeiras edições de algumas das suas obras – seguindo, com deslumbramento, as explicações, fornecidas com afecto e nostalgia por D. Joana Luísa. Também lá estava Nicolau da Claudina que se referiu ao seu tempo como aluno do homem que possuía um segredo para lidar com as turmas e para encantar os rapazes. Esse segredo era, muito simplesmente, amar! Gostei de conversar com o Nicolau e de escutar os seus relatos, carregados de emoção. Senti-me, então, mais perto do poeta.

No primeiro piso, onde existe uma biblioteca e pequeno auditório, sentei-me ao lado de D. Joana Luísa para uma hora e tal de percurso pela vida e obra de Sebastião da Gama. O Dr. João Reis manteve as atenções presas, mentes e corações embalados, num comum interesse, constantemente renovado, sobre a figura literária e humanitária das terras sadinas. Para finalizar, tive o grato ensejo de ler uma passagem do meu primeiro livro, em que faço referência ao poeta e pedagogo em cuja terra natal me encontrava. E fi-lo com a voz embargada de enternecimento.
Esta será mais uma das extraordinárias memórias que levo comigo para me aquecerem a alma e me confortarem o espírito, durante os meus dias de solidão.


Olá
De férias? para quando novo livro. Aqui está muito parado, queremos mais novidades.
jufaria
Querida Ju:
Fico contente por teres estado tão perto de algo que tanto amas.
Beijos
Em várias pesquisas que tenho feito sobre Sebastião da Gama, dei com este espaço: )
E fico feliz por o ter encontrado! Hoje, numa visita a trabalho através do Museu de Setúbal, fui ao Museu Sebastião da Gama. Insiro-me no tal grupo que conhecia as famosas tortas de Azeitão, desconhecendo por completo este grande poeta….
Confesso que me “perdi” a ler os versos do autor nas paredes da exposição, a ver todo o espólio. Fiquei absolutamente fascinada com a grandez, profundidade e simplicidade dos seus versos, do conjuntos das suas palavras.
Pensei….como é possível eu não conhecer este poeta?!
Bom, de tal me perdi no meu fascinio que quando me lembrei do que tinha ido fazer ao Museu, as minhas colegas estavam no fim da conversa: )
Valeu a pena ter lá ido, e valeu a pena ler o relato da sua visita.
Sou uma mera interessada em poesia….bem, não diria mera, pois adoro poesia. É ela que me preenche nos tais momentos de solidão de que fala: )
Não poderia deixar de escrever umas palavras, pelo que acabei por me alongar.
Desejo as maiores felicidades e despeço-me com um grande sorriso: )