Não me reconheço.
O vazio habita o espaço
onde outrora soube quem era.
O acordar é varanda desflorida
de onde contemplo o rio lamacento
realidade em que o sonho se desfaz
e deixa de me pertencer.
Ignoro se o que sinto faz parte de mim
ou já se afogou nas vagas alteradas
do passar do tempo.
Afago o nada no seio estéril de amores
O meu pranto deixou de ter voz
Cinza perdida na poeira do vento.
Procuro-me no denso labirinto do meu viver.


Quem é que não passou por esse doloroso sentimento, tão bem traduzido nos três primeiros versos do poema?
“Não me reconheço.
O vazio habita o espaço
onde outrora soube quem era.”
É-me familiar, sim, esse sentimento … Porém, a sabedoria com que o passar dos anos nos presenteia, dá-nos a certeza de que tudo passa.
Há é que acabar com a intermitência nesses sentimentos, fazendo-a cessar de vez!
Uma postura de esperança e de espírito positivo, fazem-nos creditar que, se hoje o sol não brilha, amanhã, o vento se encarregará de afastar as nuvens que nos ensombram. Eu acredito nisso, é-me vital!
É o que se me oferece dizer, o que tenho necessidade de dizer ao ler o seu poema! Confesso que o mesmo “mexeu” comigo!
…
Veja só o que fazem os poetas… Ajudam-nos a exorcizar os nossos mais íntimos medos, expondo-os … Valeu, Julieta!
E vivam os poetas que tão bem descrevem a vida!
Um abraço
“amanhã é sempre um novo dia”…assim termina “E Tudo o Vento Levou”.
Mas mesmo que o vento não leve tudo…importa não perder a noção da realidade, e saber que SOMOS.
Quem?
Amanhã ou depois pensa-se nisso.