
A amenidade de uma tarde de Março
Pinceladas de uma primavera prematura e desejada
A luz a espalhar-se pelos morros da cidade
O sol a deixar pegadas pelo empedrado gasto das ruelas
O meu encontro com um passado de saudade
A doçura e firmeza da tua mão entrançada na minha
A aragem a folgar com os meus cabelos
O meu sorriso leve e aberto de menina
Um caminhar sem desvios num uníssono passo
O teu surpreendente desvelo e a minha comoção
Olhares a falarem de muitas histórias
Corpos a denunciarem os nossos desejos
Eu a querer dar-te um beijo no perdido caramanchão
Tu a dizeres do teu gostar num lânguido abraço
Imagens a perpetuarem um instante com devir
O desenhar de um presente de novas memórias
Nos nossos lábios tantas palavras por florir…


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