
Embalar no seu ventre
O fruto do desamor
Dar vida estoicamente
Afagar o sonho perdido
No filho de si nascido
Acreditar para sempre
Ainda que falhe ternura
Sorrir em face da dor
Morrer só e lentamente
Privada do seu amor
Entoar canto de amargura.
Ser mãe esposa amante
Amiga e fiel confidente
Além disso a companheira
Num consagrar-se constante
Deixando a fêmea dormente
Não a julguem feiticeira.
Vulgar ou de mais sofisticada
Analfabeta ou com dom de artista
Prostituta ou notável fadista
Tantas as vezes que é ignorada
O sofrer a encobrir é o seu manto
Perdida está num vale de pranto.
Atrás do homem fica ignorada
Vítima de abusos tamanhos
Obscura e de voz silenciada
Mártir de inconfessáveis danos
Ergue-se mesmo assim airosa
Enfrenta de pé o mundo corajosa.


Abrangente abordagem, e quão verdadeira será. Mas…, e da mulher amada?, respeitada? …quando se falará?. Parabéns Julieta, mais uma vez…..parcas, são as (minhas) palavras.
Neste dia, a minha homenagem a uma escritora e poeta que muito aprecio – Julieta Ferreira.
Um grande beijinho.