Lisboa deixa-me sempre extática!
Maravilho-me como uma criança, num parque de diversões, saltitando de carrossel em carrossel, de olhos esbugalhados e face corada. Revejo o brilho de um passado quando dou por mim a falar com as vendedeiras do mercado de Arroios que parecem conhecer-me e me tratam por menina. Mas sou eu que as reconheço e lhes fico grata pela maneira como me olham, pelas palavras ridentes com que me acolhem. O mesmo acontece quando me detenho à porta da drogaria de bairro onde, no espaço exíguo da entrada, os clientes se demoram na cavaqueira. Ou ainda quando espreito para a atravancada loja do sapateiro da esquina, rodeado de solas esburacadas que ele remenda com zelo, entre os acenos joviais que distribui pela vizinhança.
Respiro melhor. Vibro com intensidade ao menor sinal que aviva a minha memória e me faz recuar no tempo. Vivo em simultâneo em duas épocas distintas que se entrecruzam constantemente. Contudo, não deixo de perder a noção do presente. A realidade do momento é tão forte que alimenta a avidez que trazia comigo.
Entrevejo-me no reflexo que deixo no vidro das montras por onde passo e transbordo na realização de que sou finalmente aquela que desejava voltar a ser. Envolvo com ternura a cidade que me fala no silêncio do seu ar voluptuoso de amante do Tejo.
Aqui volto a ser menina e mulher. A minha juventude e feminilidade ganham exuberância.


Só uma pessoa muito bonita, de bem com a vida e com tanto amor por esta cidade pode sentir o que tão bem descreve neste seu artigo. Congratulo-me com a Julieta pelo seu regresso a Portugal.
Um beijinho