No entardecer
De uma vida toldada
Tu chegaste …
De ímpeto e de mansinho
Minha alma sentiu-se tocada
Em teu rosto li um caminho.
Foi assim …
Num colorido momento
Começo do meu despertar
Tuas mãos esguias
A profundeza do teu olhar
Diziam-me o que sentias.
Arrebatamento
Ou até mesmo magia!
Em cálida doçura
Na cópula das nossas bocas
Deixou-se dormir a fantasia
Brotaram vontades loucas.

No início deste mês, a blogosfera ficou mais rica. A Associação Cultural Sebastião da Gama deu entrada neste mundo virtual que tem aproximado tantos, mantido a cultura viva e divulgado nomes literários, alguns desconhecidos e outros ignorados por muitos.
Só ontem tive conhecimento e regozijo-me. Não podia deixar de passar esta informação aos meus leitores e amigos. Sempre que me é possível, revelo a minha admiração pelo homem-professor-pedagogo-escritor que influenciou tanto a minha carreira de docente e, em termos mais vastos, a maneira como olho o mundo.
Curioso também é que sinto uma inexplicável e indecifrável ligação com este poeta que morreu poucos dias antes do meu nascimento. Tal como ele, o sonho e o amor ocupam um lugar primordial na minha existência. Como ele, pelo sonho é que vou …. Basta a fé no que temos… Basta que a alma demos…
Aqui deixo o link para visitarem e divulgarem:
http://sebastiaodagama-acsg.blogspot.com/
O meu poema…
É verso que delonga em acabar
No vento tingido da madrugada
Teu riso verdejante em mim a segredar
No meu corpo o bafejo da tua serenada.
O meu poema…
Sem rédeas no corcel do sonho é voz
Varanda enfeitada no tempo do sentir
Luz do nascente a florescer em nós
Raiz da loucura que pinta este sorrir.
O meu poema…
Flor de jasmim, doce vinho, rubra canção
Rio em galopada de pujante alento
Esfera de mundos a brincar na tua mão
Seara por ceifar do nosso sentimento.

Pode ser que um dia escreva sobre ti
Ainda é cedo…
Hoje quero falar daquele momento
Em que a cidade deixou de luzir
E ficou silenciada.
Na escuridão e no silêncio
Coube apenas a espessa ferocidade
Da minha mágoa sem alento.
Não sei como foi…
Como consegui tamanha pena sentir
Se estava paralisada.
Foi tudo tão repentino…
Gelou o presente e o passado ressuscitou.
As palavras a morrerem na garganta
E eu lesada a falar num desatino.
Na antecedente hora…
Vesti-me de uma tão fugaz quimera
Se eu pudesse atrás voltar…
Se eu soubesse o que sei agora…
Contudo mudar nada quereria
Ainda que chore minha alma magoada.

Mais pesado que o vazio da morte
É o silêncio que de manso nos habita
E sem jeito quase nos petrifica…
Silêncio da palavra esvaziada
Ou ainda da sentida mas não dita
Silêncio que precede uma ausência
Ou o alto grito da negação calada
Silêncio que do amor é carência
Do desamor um manto avultado
Do vácuo uma insistência sem par
Da desilusão um som abafado
Peso que jamais parece findar…

Queria conhecer tua verdade
Nos teus olhos ver o que perdi
Quando amava despida de razão.
Queria pedir-te sem vaidade
Para pintares de luz a minha face
Queria ler nas linhas da tua mão
A vida que ainda não vivi…
E quiçá o meu sonho voltasse.
Se quiseres vem comigo descobrir
A que deixei no tempo desamparada
Desfolha os penares do meu poema
Atapeta de esperança a minha estrada.
Não digas um moribundo talvez…
Esboça sorrisos na tela por nascer
Traça destinos na calma da minha tez
Enfeita de cor a janela do meu alvorecer.
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