
Na segunda-feira, depois de poucas horas de sono, mas sentindo-me leve e feliz, fui passear pela Baixa e Restauradores, sob um céu muito azul e um sol radioso. Com os ruídos, o colorido e odores de Lisboa, eu voltei a sentir-me em casa, fazendo parte do espaço que me rodeava. Por volta das 11 horas, fui encontrar-me com duas amigas australianas que haviam chegado dois dias antes e a quem eu tinha oferecido servir de guia, levando-as a conhecer alguns locais de interesse histórico e cultural. É sempre com renovado prazer que faço de anfitriã, não deixando passar a oportunidade de dar a conhecer o nosso país e a nossa cultura aos estrangeiros.
Assim, depois de esfusiantes abraços, à entrada da Suiça, onde elas já tinham ido para se deliciarem com os famosos pastéis de nata, seguindo uma das várias sugestões que eu lhes dera, partimos rumo a Sintra. Durante o percurso, ouvi um entusiasmado relato das suas experiências em Lisboa, nos dias anteriores à minha chegada. Tinham já palmilhado a cidade e visitado Belém. Alfama havia-as impressionado imenso pela tipicidade e antiguidade. Segundo a descrição delas, era como uma pequena cidade ou microcosmos dentro de Lisboa. Aperceberam-se do meio comunitário do bairro e de uma cultura muito própria daquele ambiente.
Chegadas a Sintra, deambulámos pelas sinuosas, íngremes vielas e estreitos becos, parando aqui e ali para tirar fotos ou entrar nas lojinhas de souvenirs que proliferam naquele local.
Detivemo-nos por alguns minutos a observar um homem que pintava azulejos e as minhas amigas aproveitaram para comprar algumas recordações. Entretanto eu fiz algumas perguntas ao artista que me respondeu num sotaque espanhol. Interessante e curioso, pensei, ainda mais pelo facto de esta forma de arte ter começado nos anos em que Portugal sofreu a dominação castelhana.
Para almoçar, escolhi um restaurante onde pudéssemos usufruir da vista magnífica sobre a cidade, rodeadas de uma vegetação muito verde e luxuriante. Como ainda não tinham provado nenhuma das muitas especialidades de pratos de bacalhau, resolvi escolher bacalhau à Brás e bacalhau assado com batatas a murro; para entrada, amêijoas à Bulhão Pato. Prescindimos da sobremesa porque era minha intenção levá-las à tão conhecida pastelaria Piriquita para que experimentassem os afamados travesseiros, depois de explorarmos o castelo da Pena. E assim fizemos. Não importa quantas vezes já estive naquele lugar: sinto sempre prazer e emoção!
Regozijei-me ao notar as expressões de admiração e interesse estampadas nos rostos delas; exultei, cheia de orgulho, ao mostrar-lhes o nosso riquíssimo e antiquíssimo património; o meu coração bateu com mais força e os meus olhos ganharam uma maior vivacidade por estar de novo no solo lusitano, de volta às minhas raízes e sentir uma felicidade imensa por correr nas minhas veias o sangue de um povo sem igual.

