Há-de haver maneira …
de reconhecer teus passos no copioso areal
do estéril deserto onde confusa deriva minha alma.
Perceber tua voz na cumplicidade do vento
a zunir febril nas indolentes tardes calmosas
em que me abandono à contemplação.
Captar teu sorriso no pesaroso labirinto
da vida esquecida neste constrito lodaçal
onde as horas se sucedem malditas e fastidiosas.
Tocar teu corpo na voragem silenciosa da volúpia
num tempo parado e que mais uma vez eu sinto.
Adivinhar tua presença no gasto e frio sussurro
do sonho que ficou perdido e procuro em vão.
Receber teu afago na teia volátil do pensamento
onde quiçá persigo um inatingível ou dissoluto ideal.
Há-de haver maneira…
Decerto tem de haver…
Mas como encontrar-te vou poder
E calar em mim tanta canseira?


Parabéns Jú. Tu estás imparável. Olha, não sei que diga. Fico pasma com a tua apetência versejadora. Digo como o Almada “há-de haver outra maneira de salvar uma pessoa”. Não sei se é adequado. Mas tens que reconhecer que é uma frase com substância
Digo eu. E tal.
Beijos
Olá Julieta
Tanto pode ser uma pessoa como um lugar, um sonho.
Serão as saudades do nosso Portugal?
Um abraço global
Querida Ju:
Há-de haver maneira. Há sempre.
Continuas em forma, na prosa e na poesia, onde expressas muito do que te vai na alma, apesar do poeta ser um fingidor…
Beijos
Olá Julieta,
Adorei o seu blog e, principalmente, a lucidez de suas palavras ao retratar com esmero vocabular as coisas simples da vida. Um forte abraço do Brasil.
Lindo, lindo, lindo… Também eu te procuro e tu teimas em não aparecer.
Aparece!
Só quero Ser Feliz Já