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Procuro-te

Há-de haver maneira …
de reconhecer teus passos no copioso areal
do estéril deserto onde confusa deriva minha alma.

Perceber tua voz na cumplicidade do vento
a zunir febril nas indolentes tardes calmosas
em que me abandono à contemplação.

Captar teu sorriso no pesaroso labirinto
da vida esquecida neste constrito lodaçal
onde as horas se sucedem malditas e fastidiosas.

Tocar teu corpo na voragem silenciosa da volúpia
num tempo parado e que mais uma vez eu sinto.

Adivinhar tua presença no gasto e frio sussurro
do sonho que ficou perdido e procuro em vão.

Receber teu afago na teia volátil do pensamento
onde quiçá persigo um inatingível ou dissoluto ideal.

Há-de haver maneira…
Decerto tem de haver…
Mas como encontrar-te vou poder
E calar em mim tanta canseira?

5 comentarios a Procuro-te

  • meninosdocoro

    Parabéns Jú. Tu estás imparável. Olha, não sei que diga. Fico pasma com a tua apetência versejadora. Digo como o Almada “há-de haver outra maneira de salvar uma pessoa”. Não sei se é adequado. Mas tens que reconhecer que é uma frase com substância :) Digo eu. E tal.
    Beijos

  • Olá Julieta
    Tanto pode ser uma pessoa como um lugar, um sonho.
    Serão as saudades do nosso Portugal?
    Um abraço global

  • Querida Ju:
    Há-de haver maneira. Há sempre.
    Continuas em forma, na prosa e na poesia, onde expressas muito do que te vai na alma, apesar do poeta ser um fingidor…
    Beijos

  • rosilda araujo

    Olá Julieta,
    Adorei o seu blog e, principalmente, a lucidez de suas palavras ao retratar com esmero vocabular as coisas simples da vida. Um forte abraço do Brasil.

  • Ser Feliz Já

    Lindo, lindo, lindo… Também eu te procuro e tu teimas em não aparecer.

    Aparece!

    Só quero Ser Feliz Já

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