O tempo governa as nossas vidas, com a implacabilidade de uma presença constante. Limita-nos e condiciona-nos, fazendo alguns de nós seus escravos e mártires. Determina, astrologicamente, as nossas características; regula, matematicamente a nossa educação; delimita, socialmente, os nossos comportamentos.
Vivemos, a maior parte das vezes, em função do tempo que faz; do tempo que dispomos; do tempo que nos falta; do tempo que nos sobra; do tempo que sonhamos vir a ter; do tempo que perdemos; do tempo que já passou; do tempo do porvir.
Somos apreciados pela nossa pontualidade; somos enaltecidos pela rapidez das nossas decisões; somos gratificados pela finalização de trabalhos, dentro do tempo estipulado. Esconjuramo-lo do mesmo modo que o abençoamos. Conhecemos a sua relatividade e, mesmo assim, continuamente nos admiramos da forma como ele se faz sentir, em certos períodos da nossa existência. A sua duração tão depressa nos causa júbilo como desespero.
Há aqueles que gostariam de ter parado no tempo e não se cansam de afirmar que no tempo deles é que era bom. Uns prefeririam apagar um tempo que os fragilizou e os impede de viverem no presente; outros julgam possível ignorar o tempo, numa rebeldia que os leva a uma vivência caótica.
No entanto, qualquer que seja a situação, em momentos de exuberância ou de deplorável infortúnio, queremos sempre mais tempo. Achamos que nunca temos o tempo suficiente para vivermos e realizarmos o que nos propomos realizar, seja lá isso o que for. Não ter tempo é uma desculpa por demais conhecida, andando de boca em boca, nas sociedades modernas. É que, no mundo de hoje, de uma desenfreada tecnologia, onde tudo se movimenta a uma velocidade vertiginosa, há a expectativa de uma produtividade máxima no menor espaço de tempo. Daí, as metáforas “tempo é de ouro” e “tempo é dinheiro” a atestar o valor e a importância que lhe damos, acabando por viver o tempo de que dispomos em stress. E quando sucumbimos à doença que encurtará as nossas vidas e nos privará desse tempo tão precioso, agarramo-nos, com unhas e dentes, ao pouco tempo que nos resta, fazendo uso de todos os meios possíveis para o prolongar, adiando a sua paragem.


Ju:
A análise que fazes do tempo enquanto elemento condicionador das nossas vidas, é antes de mais, acertada e um facto incontornável.
Cabe, no entanto, dizer, que, grande parte do nosso tempo somos nós que o consumimos de forma pouco inteligente, convencidos que ele nunca mais acaba e que a morte ainda é longínqua. Esquecemos, assim, que o tempo de cada um é um tempo escasso que deve ser aproveitado a 100%. Ao invés gastamo-lo de forma desplicente e culpamo-lo a ele por não nos dar mais…
Estranha forma de vida.
Beijos
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beijinhosss
Gostei da abordagem (suave e clara) às diversas “facetas” do tempo. Ocorre-me apenas….que até ao findar dos Tempos….!!!,
” Atrás dos tempos, vêem tempos e outros tempos hão-de vir….!” bjs