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Rosto do meu povo – Parte II

É meu e vosso este fado
Destino que nos amarra
Por mais que seja negado
Às cordas de uma guitarra

Sempre que se ouve o gemido
De uma guitarra a cantar
Fica-se logo perdido
Com vontade de chorar

Ó gente da minha terra
Agora é que eu percebi
Esta tristeza que trago
Foi de vós que a recebi

Regresso sempre a Lisboa com a mesma e renovada fascinação, que porventura teria trazido Ulisses de volta, seduzido pela doçura e claridade deste pedaço de terra, no jardim da Europa, à beira-mar plantado.

Esta é uma cidade que deve ser vista a pé. Deve ser sentida no pisar firme das suas pedras de calcário e granito, no cheirar cativo dos seus aromas que se misturam numa simbiose invulgar, no olhar demorado pelas suas fachadas seculares, na contemplação envaidecida dos seus bairros sem igual e no apreciar da sua luz que nos aquece por dentro.

Por toda a parte nos deparamos com contrastes, onde o passado se afirma constantemente, remetendo-nos para épocas gloriosas e feitos singulares. Nos azulejos, pelos miradouros, ou nas estátuas de mármore ou bronze a eternizar os que se distinguiram nas letras ou artes e nos deixaram um espólio riquíssimo, eu continuo a ver e a venerar o rosto multifacetado do meu povo. Sinto orgulho em ser portuguesa e em ter nascido nesta cidade!

1 comentario a Rosto do meu povo – Parte II

  • Manuel Dias

    Tudo o que li escrito por si tem algo de natural e faz transparecer uma grande capacidade de fazer muito mais e melhor… é favor continuar para assim dar bons momentos de leitura a todos os que quiserem ter o privilégio de ler os trabalhos da Julieta.
    Quanto ao texto com que nos brinda hoje “Rosto do meu povo” gostei muito do texto e da parte onde diz que Lisboa deve ser vista a pé…Obrigado.

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