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São as palavras rio onde me banho

São as palavras rio onde me banho
De suas políferas águas colho a limpidez
Em seu feraz leito saro o meu enfado
Purificada já de um pesar tamanho
Qual etérea lira de meu cantar magoado
Sorvo nelas o elixir da minha embriaguez.

São caudal da fonte onde me alimento
Jorram da penúria que trago comigo
São grito solto do recatado tormento
Dispersam minha incontida emoção
Com elas edifico meu porto de abrigo
Privada de seu brilho sucumbo à solidão.

Espiadoras de inconfessáveis pecados
Do pensamento inquieto torrente copiosa
Bálsamo fugaz de carpidos cuidados
Retratam impudicas a minha nudez
Da sofrida desdita são a voz impiedosa
E lembrança perene da minha insensatez.

1 comentario a São as palavras rio onde me banho

  • meninosdocoro

    Tu não és insensata. És poeta. E pronto.
    E, palavra, sempre me lembras versos dos lusíadas. Não sei porquê. Mas lembras.
    Um beijo:)*

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