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Só ou solitário?

O que é a solidão? É o estado que advêm ou é inerente a condição de estarmos sós? Linearmente será isso mas não há nada que seja assim tão simples e linear de se admitir ou explicar. Será que todos os que estão sós sentem o fardo da solidão? E o que significa estar-se só? Estar-se só é simplesmente o oposto de estar-se acompanhado? O que quer isso dizer? Quando é que a presença de outros nos liberta de um estado de solidão? Quando é que essa presença nos deixa ainda mais solitários e na ausência podemos encontrar o conforto de não estarmos sós?
Complicado? Perturbante?
Para aqueles que estão já habituados à minha maneira de analisar o mundo nas suas múltiplas facetas, transportando as minhas ideias para uma escrita reflexiva e filosófica, não será de estranhar este repositório de perguntas que espelham reflexões que tenho vindo a formular, nos últimos dias, ao viver situações que me deixaram mais vulnerável e debilitada, quer fisicamente quer emocionalmente. Situações em que fui confrontada com a minha solidão.
Tanto se tem ouvido dizer que o ser humano é gregário e a provar essa afirmação, desde o inicio dos tempos que o homem tem procurado viver em grupos. Grupos esses que deram lugar a formação de sociedades. Assim se estabeleceram relações de vários tipos entre os humanos. Excluindo os que, por deliberação, se isolam e vivem como eremitas, a humanidade, num senso geral, é gregária e torna-se difícil, se não impossível, que haja um ser totalmente isolado, num estado de solidão absoluta. Será?
É claro que isso é debatível mas, no espaço físico em que existimos e nos movimentamos, há sempre outros seres à nossa volta. Então, num plano puramente físico nunca estaremos sós. E se nos falta a presença real, lá está a tecnologia da comunicação a por ao nosso dispor uma rede de variadas e numerosas ligações que nos mantêm conectados com os outros, pela virtualidade.
Então o que nos falta quando falamos de solidão? E porque é que num mundo onde, mais do que nunca, as pessoas se encontram a uma maior proximidade umas das outras, nos atormenta tanto esse estado? O que falha?
É que a solidão pode ter muito pouco ou nada a ver com uma presença física ou mesmo virtual. Podemos senti-la quando estamos rodeados de gente: insinua-se na nossa alma mesmo se a presença física de alguém se mantiver constante a nosso lado; corrói-nos ainda que comuniquemos com aqueles que se cruzam no nosso caminho. Não é que estejamos sós, no sentido comum da palavra, mas estamos solitários. E essa maneira de sentir vem de um estado que tem a raiz no mais recôndito do nosso ser: essa parte de nós que requer uma união para alem do físico e palpável. Uma união que não se mede nem se define pela proximidade espacial, geográfica, física ou mesmo real. Essa é a união que irá redimir-nos e libertar-nos porque só nela encontraremos a resposta para a nossa infindável e recorrente busca de não estarmos isolados e de sermos compreendidos e amados. É essa união que nos restituirá o que parece ter ficado perdido, algures fora de nós. É essa união que nos fortalecerá para enfrentarmos os nossos medos e as nossas dúvidas, os nossos demónios e os nossos fantasmas, as nossas fraquezas e as nossas quedas. E é essa união que nos dará animo para continuarmos e enfrentarmos as dificuldades, sejam elas quais forem, de cabeça erguida e um sorriso nos lábios, sabendo que afinal não estamos sós!

1 comentario a Só ou solitário?

  • Querida Ju:
    O conceito de solidão só faz sentido num contexto de necessidade absoluta de relacionamento. Sentimo-nos sós quando temos necessidade de nos relacionar, porque se assim não for, nao existe solidão.
    Melhor seria que, ao invés da solidão, nos concentrassemos no eu que cada um de nós transporta dentro de si, ou é, e usassemos o tempo para o melhorar e poder oferecer então, mais tarde, a quem quer que fosse digno desse eu.
    A força para continuar está dentro de nós e o relacionamento com outros, só faz sentido para enriquecer a nossa existência.
    Depois há a outra versão: nada do que acabei de dizer faz sentido…
    Beijos

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