Soube-me muito menos
Do que a pouco…
A viagem de teus lábios errantes
Na pele onde o tépido arrepio
Do vento se quedara por instantes
Suspenso entre luzir e partir
O astro-rei sorriu da gaiata pequenez
Na delonga de um acostar tardio
Retido num sopro de espanto
Aplaudiu o beijo desnudo de fugidio
Esculpido na alma em cascatas de limpidez
E eu sorvi na brisa teu demorado encanto.
Soube-me muito menos
Do que a pouco…
De teus dedos retardada suavidade
Em vagas de desenho incompleto
A deixar em mim a apetente doçura
Do fruto que amadurecera sem idade
E agora colho num sonho desperto.
Soube-me muito menos
Do que a pouco…
Esse momento de esboçada candura…
Em que o Tempo não ficou perdido.

